LENÇÓIS MARANHENSES

EXPERIENTES EM VIAGENS
nos LENÇOIS MARANHENSES
19 a 29AGO26
Não estavam nos planos escrever com maiores detalhes sobre as nossas viagens pelo Brasil, uma vez que julgávamos ser simples realizar pesquisas nas redes sociais e sites brasileiros a fim de escolher a melhor forma de fazer esse passeio. Porém, durante as nossas pesquisas, que não foram poucas, descobrimos que as publicações e postagens existentes nas redes sociais, na sua maior parte, detalhavam mais as pessoas desfrutando do passeio do que propriamente descrevendo toda a logística necessária para chegar aos Lençóis e, de lá, realizar os passeios turísticos que nos interessavam.

Dessa forma, decidimos escrever sobre como foi essa experiência e esperamos que ela possa ser útil no planejamento de futuros viajantes.
Então, bora lá! Vamos caminhar pelas dunas nessa interessante viagem aos Lençóis Maranhenses.
1) PLANEJAMENTO DA VIAGEM PARA O PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS MARANHENSES
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses está localizado no estado do Maranhão e é de uma beleza natural indescritível. O Parque ocupa uma extensa região, com cerca de 70 km de comprimento por 30 km de largura, em uma área que impressiona pela grandiosidade e beleza. Costuma-se comparar sua dimensão à da cidade de São Paulo. Não conseguimos obter uma informação precisa a respeito da quantidade de lagoas que se formam após o período de chuvas, pois são milhares e qualquer número poderia não refletir a realidade, considerando que muitas delas secam e muitas outras surgem, dependendo da intensidade de chuvas no local e da formação de novas dunas. Sendo assim, as lagoas variam em forma, tamanho, profundidade e tempo de permanência com água.

Planejar a sua visita aos Lençóis é fundamental e aqui vão alguns fatores que julgamos importantes de serem observados:
Primeiro fator: período do Ano
O principal fator a ser considerado é o período do ano para visitar os Lençóis Maranhenses. Como sabemos, de forma geral, o Nordeste brasileiro possui duas estações bem estabelecidas:
- inverno: de janeiro a junho, com chuvas mais intensas; e
- verão: de julho a dezembro, período mais seco.
Portanto, o ideal é planejar a visita após o período das chuvas, mas não muito tarde, pois a maioria das lagoas tende a secar com o avanço da estação seca.
Os meses ideais para visitar os Lençóis Maranhenses vão da segunda quinzena de maio até o final de agosto, sendo a primeira quinzena de junho, em nossa opinião, um período ainda mais interessante. Nessa época, as lagoas já costumam estar cheias e as cidades e vilas ainda não estão tão lotadas quanto no auge da alta temporada. Conversando com moradores e guias, todos foram unânimes em afirmar que julho é o mês mais disputado, certamente por coincidir com as férias escolares.
Nós viajamos na segunda quinzena de agosto e, apesar do grande movimento, estava longe de estar lotado.
Segundo fator: cidades e vilas que servirão de ponto de apoio
O segundo fator que julgamos importante é decidir quais cidades devem servir de ponto de apoio e quantos dias passar em cada uma delas.
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses possui diversas cidades e vilas estabelecidas em seu entorno, mas três se destacam pela proximidade com as entradas do Parque e pelo apoio logístico disponível aos turistas: Santo Amaro, Barreirinhas e a Vila de Atins. Cada uma delas tem suas belezas, particularidades e diferentes perfis de hospedagem, deslocamento e acesso aos passeios.
O que vamos descrever, é claro, deve ser considerado como uma apreciação particular nossa, que pode diferir da opinião de outros viajantes com perfis e expectativas diferentes. Por isso, recomendamos que pesquisem bastante, vejam qual o perfil que se adapta a você em cada região, antes de tomar a decisão final.
Santo Amaro é uma cidade pequena, com um centro turístico igualmente pequeno, mas com uma quantidade considerável de pousadas e ótima infraestrutura logística para apoiar os passeios. É a cidade que fica mais próxima de uma das entradas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses; ou seja, não há grande desperdício de tempo no deslocamento até as dunas e lagoas, nem no retorno ao hotel ou à pousada. Consideramos Santo Amaro a base que merece o maior número de dias dentro do planejamento da viagem, especialmente para quem deseja a proximidade com as dunas e lagoas.
Barreirinhas é a maior cidade da região e, portanto, conta com a maior oferta de hospedagens, restaurantes, agências e infraestrutura para apoiar os passeios. Ela está localizada às margens do Rio Preguiças, que permite o deslocamento até a Vila de Atins tanto de barco quanto por terra. Para acessar uma das entradas dos Lençóis Maranhenses a partir de Barreirinhas, é necessário um deslocamento de cerca de 1 hora de carro 4x4 por uma estrada de terra bem desconfortável. Não fizemos esse passeio, mas essa informação nos foi relatada por um dos guias que nos atendeu. O centro de Barreirinhas é muito agradável e possui um calçadão à beira-rio com diversos restaurantes, lanchonetes, sorveterias e lojas de artesanato, que, no período noturno, se torna ponto de encontro dos turistas. Além de oferecer pratos típicos da região, muitos restaurantes contam com música ao vivo, o que torna o ambiente ainda mais prazeroso. Portanto, se o objetivo é ter uma infraestrutura mais confortável, essa cidade pode ser uma boa escolha. Nós permanecemos somente uma noite em Barreirinhas, com a finalidade de conhecer a agitação da vida noturna tão comentada nas redes sociais. No entanto, se esse não for o seu perfil, pode descartar a hospedagem nesta cidade, pois consideramos não estar perdendo muito com isso. Ah... não se esqueça de que, para chegar a Atins, você terá que passar, obrigatoriamente, por Barreirinhas.
Atins é uma vila pertencente ao município de Barreirinhas. Trata-se de um lugar rústico, localizado entre o mar e o Rio Preguiças. Suas ruas não possuem asfalto e são formadas pela areia das praias, o que reforça o ambiente simples e descontraído do vilarejo. A vida noturna se resume a alguns restaurantes, lanchonetes, bares, sorveterias e lojas de artesanato. Nada muito sofisticado, mas tudo muito charmoso justamente por essa característica. Os veículos ali utilizados são automóveis 4x4 e quadriciclo. Atins fica próxima a uma das entradas dos Lençóis Maranhenses, sendo necessário um deslocamento de cerca de 30 minutos para chegar às dunas. É uma vila que recomendamos visitar por toda a atmosfera que a envolve. Para quem gosta de mar, é uma boa oportunidade de distribuir os dias entre a praia e as lagoas. Além disso, Atins é conhecida por atrair praticantes de kitesurf em determinadas épocas do ano, especialmente por causa dos ventos constantes. Para chegar a Atins, pode-se ir de carro, partindo de Barreirinhas, por uma estrada que nos foi descrita com muitos buracos e pouco recomendada; ou de barco, pelo Rio Preguiças, aproveitando para fazer um passeio turístico que é oferecido na região e que descreveremos mais tarde. Essa foi a opção que utilizamos tanto para ir quanto para voltar de Atins. Outra preocupação que tivemos quando estávamos programando a viagem e fechando nosso translado de Santo Amaro para Atins foi como seriam transportadas nossas malas, considerando que estávamos em um grupo de seis pessoas, e com um total de sete malas, três médias e quatro pequenas e mais três mochilas. Tudo deu certo, as malas foram conosco na Van e chegando em Barreirinhas, seguem no barco conosco, observando que estávamos em transfer privado. Entretanto verificamos que aqueles que iam no barco com transporte coletivo levaram suas bagagens tranquilamente, mas fica a dica que o ideal é que estejam com malas pequenas e/ou mochila, pois facilita muito a retirada do barco para a terra.
Terceiro fator: alugar ou não um carro
O terceiro fator é decidir se vale a pena alugar um carro — naturalmente, isso se aplica caso o deslocamento até o Maranhão não tenha sido realizado com veículo próprio. Essa decisão deve levar em consideração o custo do aluguel durante todo o período da viagem e o valor dos transfers entre as cidades e vilas que vocês pretendem visitar.
Um aspecto muito importante, e que descobrimos durante o planejamento, é que o carro alugado não terá utilidade para a realização dos passeios dentro do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. O acesso às áreas de dunas e lagoas é feito somente por veículos credenciados e adequados ao terreno, normalmente contratados por meio das agências e acompanhados por condutores e guias locais. Dessa forma, o carro alugado permanecerá estacionado no hotel ou na pousada enquanto vocês realizam os passeios, o que torna o aluguel do carro e mais os passeios dispendiosos.
Para efeito de planejamento, os deslocamentos terrestres também merecem atenção. De São Luís até Santo Amaro são aproximadamente 4 horas de viagem; de Santo Amaro até Barreirinhas, cerca de 1h30; e de Barreirinhas até Atins (se optarem pela via terrestre), também aproximadamente 1h30. No trecho até Atins, seja saindo de Santo Amaro ou Barreirinhas, o acesso exige veículo adequado às condições do percurso, normalmente um veículo 4x4. Portanto, antes de pensar que o aluguel de um carro dará maior liberdade à viagem, é importante avaliar se essa liberdade compensará face ao custo.
Nossa conclusão foi que, para quem pretende conhecer diferentes localidades dos Lençóis, os transfers contratados com antecedência podem ser uma alternativa mais prática e, dependendo do número de pessoas e do roteiro, até mais econômica do que manter um carro alugado durante toda a viagem.
Quarto fator: escolher uma boa agência de turismo
O quarto fator, e, ao nosso ver, um dos mais importantes — juntamente com a escolha do período da viagem — é selecionar uma boa agência de turismo, tanto para a organização dos transfers, caso essa seja a opção escolhida, quanto para a realização dos passeios que vocês desejam fazer.
Uma característica interessante que observamos durante a nossa permanência na região é que, independentemente da localização da agência contratada, muitas delas conseguem organizar transfers e passeios em diferentes localidades dos Lençóis, graças as parcerias estabelecidas com empresas e operadores locais. Isso pode ser uma vantagem, pois permite organizar praticamente todo o roteiro com um único contato e, em alguns casos, conseguir melhores condições de preço. Por outro lado, essa mesma característica pode se transformar em um problema caso a agência contratada não cumpra adequadamente os compromissos assumidos. Por isso, nossa recomendação é pesquisar bastante, verificar avaliações de outros viajantes e, principalmente, confirmar por escrito tudo aquilo que estará incluído no pacote, como transporte, horários, alimentação, guia, equipamentos e eventuais taxas.
Pelo que observamos, as empresas utilizam veículos muito semelhantes para a realização dos passeios pelas dunas e lagoas. E, nessa região, o que imperava absolutamente foi a Hilux 4x4!
A Toyota deveria utilizar essa característica nas suas propagandas comerciais, porque saímos dos Lençóis impressionados com a força, a resistência e a capacidade desse veículo para enfrentar areia, dunas e terrenos extremamente difíceis. Durante os passeios, ficou muito claro porque um veículo 4x4 é tão importante nesse ambiente.
Quinto fator: passeios e transfers privativos ou coletivos
O quinto e último fator é decidir se os transfers e passeios serão realizados de forma privativa ou coletiva.
Como éramos um grupo de seis pessoas, para nós foi fácil tomar essa decisão: optamos pelos passeios privativos. Quanto aos transfers, entretanto, a modalidade coletiva pode ser uma alternativa mais econômica e perfeitamente satisfatória. O principal inconveniente é que os horários são determinados pela empresa responsável pelo deslocamento e, dependendo do veículo utilizado e da quantidade de passageiros, o espaço disponível pode se tornar desconfortável. E não se esqueça: estamos falando de aproximadamente 4 horas de deslocamento entre São Luís e Santo Amaro. Por isso, para trechos mais longos, vale a pena avaliar se a economia proporcionada pelo transporte coletivo realmente compensa a perda de conforto e flexibilidade.
No caso dos passeios turísticos, percebemos uma diferença bem significativa entre as modalidades privativa e coletiva.
No passeio privativo, basicamente, o veículo e o guia ficam à disposição do seu grupo e o roteiro pode ser adaptado de acordo com os seus interesses. É claro que existe um percurso previamente estabelecido para cada circuito, mas a grande vantagem está na flexibilidade. Vocês podem decidir quanto tempo desejam permanecer em determinada lagoa, se querem conhecer outra, quando preferem parar para almoçar e até mesmo quanto tempo pretendem permanecer contemplando a paisagem. Essa liberdade faz uma diferença enorme, principalmente para quem não gosta de realizar os passeios com pressa.
Outro aspecto que consideramos muito interessante foi a possibilidade de escolher locais mais tranquilos. Nos passeios privativos, conseguimos visitar lagoas menos disputadas e, em determinados momentos, encontrar lagoas vazias, onde permanecemos apenas com o nosso grupo. Para nós, isso valorizou muito a experiência, pois pudemos aproveitar a paisagem com mais tranquilidade e tirar fotografias sem aquela sensação de estar disputando espaço com dezenas de pessoas.
Também tivemos o conforto de contar com a instalação de um guarda-sol, algo que consideramos fundamental para quem pretende permanecer várias horas nas lagoas. Pelo que observamos, esse conforto não estava disponível da mesma maneira nos passeios coletivos, embora isso possa variar de acordo com a empresa contratada.
Quanto às cadeiras de praia e ao cooler com água (bebidas alcóolicas são proibidas no parque), fomos informados pelos guias de que esses itens estão disponíveis tanto nos passeios privativos quanto nos coletivos. Ainda assim, recomendamos confirmar antecipadamente com a agência, pois os serviços incluídos podem variar.
No final das contas, os passeios privativos são mais caros, mas, na nossa opinião, representam um diferencial importante na qualidade da viagem. Para quem está viajando em família ou com um pequeno grupo de amigos, principalmente quando o custo pode ser dividido entre várias pessoas, vale muito a pena fazer essa conta. Que foi o que fizemos!
Mais do que simplesmente chegar às lagoas, a possibilidade de escolher onde ficar, quanto tempo permanecer e como aproveitar cada lugar transforma o passeio em uma experiência muito mais personalizada e prazerosa. E, nos Lençóis Maranhenses, onde a paisagem é justamente o grande espetáculo, ter tempo para contemplá-la, sem pressa, faz toda a diferença.
Observados todos esses aspectos que com certeza tornarão a sua experiência única, vamos passear pelo nosso roteiro.
2) SANTO AMARO
DATA | ORIGEM | DIST/TEMP | DESTINO |
19AGO (QUA) | RIO DE JANEIRO 23h 05min | AVIÃO 3h | SÃO LUÍS (MA) 20AGO 02h35min |
20AGO (QUI) | SÃO LUÍS (MA) | CARRO 4h | SANTO AMARO |
OBSERVAÇÕES: dormimos a primeira noite em São Luís, com o objetivo de aguardar a chegada de mais um casal que fez parte do nosso grupo. E depois, 3 noites em Santo Amaro. | |||
ACOMODAÇÃO: LITORÂNEA PRAIA HOTEL (SÃO LUÍS). Hotel simples, localizado de frente para o mar, em Calhau. O quarto era bem simples, assim como o café da manhã, mas atendeu às expectativas de quem desejava apenas descansar após um voo que chegou de madrugada.
CHALÉ MURICI LENÇÓIS (Santo Amaro). Localizado a cerca de 20 minutos de caminhada do centrinho da cidade, o Chalé Murici é bastante confortável. O quarto era espaçoso, com cama queen size, TV, frigobar e ar-condicionado. A pousada possuía duas piscinas de fibra, um restaurante e uma pequena academia de ginástica. O café da manhã era bem diversificado, e observamos que a dona da pousada estava sempre presente no dia a dia do funcionamento de todo o estabelecimento. Além de ser uma pousada, a Murici também é uma agência de turismo, e foi com eles que fechamos todos os transfers e passeios turísticos durante toda a nossa estadia nos Lençóis Maranhenses. | |||
Santo Amaro possui uma ótima característica: é a cidade que está mais próxima de uma das entradas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Cerca de 10 minutos de carro são suficientes para chegar ao paraíso. Portanto, a nossa sugestão é que, se o objetivo for aproveitar ao máximo as belezas dos Lençóis Maranhenses, ou tiverem pouco tempo, reservem a maior quantidade possível de dias nessa cidade.

Para acessar o Parque, em Santo Amaro, é necessário que cada pessoa pague uma taxa de entrada no valor de R$ 10,00, com validade de três dias. O pagamento é bem simples, realizado on-line, e pode ser feito no mesmo dia, antes de acessar o Parque. As instruções para o pagamento costumam estar disponíveis na pousada em que vocês ficarem hospedados. Apenas tenham atenção para fazê-lo em um local com sinal de internet, pois, dentro do Parque Nacional, o sinal é muito instável e, em muitas regiões, inexistente. Pessoas com mais de 60 anos estão isentas do pagamento, mas, ainda assim, precisam preencher a permissão de entrada quando será gerado o QR code (voucher). Antes de entrar no Parque, há um posto de verificação onde será solicitado o voucher de acesso.
As agências de turismo apresentam uma grande variedade de passeios, incluindo opções de dia inteiro ou de meio período, que podem ser realizados de forma privativa ou coletiva. Anteriormente, já comentamos as vantagens dos passeios privativos, e foi dessa forma que realizamos os nossos. Portanto, as descrições a seguir levarão em considerações essas características.
Contratamos dois passeios de dia inteiro: o Circuito Bethânia e o Circuito Ponta Verde. Ambos permitem conhecer diferentes paisagens dos Lençóis, alternando deslocamentos pelas dunas, paradas para banho nas lagoas e momentos de contemplação da paisagem.
O Circuito Bethânia recebe esse nome porque o almoço é realizado na vila de Bethânia. O passeio consistiu na visita, pela manhã, a duas lagoas, seguida do almoço. No período da tarde, visitamos mais uma lagoa e, depois, seguimos para assistir ao pôr do sol.
Os passeios costumam ser apresentados com paradas em lindas lagoas que possuem nomes, mas o mais interessante, nos passeios privativos, é a possibilidade de permanecer nas lagoas que desejamos por mais tempo. Normalmente, o guia também opta por locais mais exclusivos, o que torna a experiência ainda mais especial. Observamos que algumas lagoas, provavelmente as mais famosas, tinham uma concentração maior de pessoas. Nada excessivamente lotado, mas o suficiente para diminuir um pouco a sensação de exclusividade. Outra consideração, de caráter muito pessoal, é que as lagoas mais conhecidas, mesmo aquelas que possuem um nome específico, são tão bonitas quanto outras sem denominação alguma. Na realidade, é mais do mesmo, no melhor sentido da expressão, pois tudo é muito lindo. O que contou realmente foi a tranquilidade de estar em locais mais reservados. Outra vantagem foi poder alterar o roteiro, dentro do possível, caso desejássemos conhecer outra lagoa. Mas, na prática, relaxar dentro de uma daquelas lagoas não nos dava vontade alguma de mudar.

Para chegarmos à vila de Bethânia, foi necessário um pequeno deslocamento de barco, que tivemos de pagar à parte, pois não estava incluído no preço do passeio: R$ 10,00 por pessoa e incluía a ida e o retorno.

Almoçamos no Restaurante Novo Horizonte, um local bem rústico, mas com boa culinária. Escolhemos a refeição ainda na pousada, antes de iniciar o passeio. Ou seja, ao chegarmos, os pratos foram servidos em pouco tempo. O almoço também é pago à parte, diretamente no restaurante. Para quem desejar descansar depois da refeição, há uma área com diversas redes disponíveis.

No período da tarde, partimos para relaxar em mais uma das lagoas e, em seguida, fomos posicionados no topo de uma duna, a cerca de 70 metros acima do nível do mar, para apreciar a beleza do pôr do sol. Nessa duna, também éramos os únicos visitantes, o que tornou o momento bastante exclusivo.

Um fato digno de nota é a capacidade dos motoristas e guias de se orientarem naquele mar infinito de areia. As lagoas são, sem dúvida, o grande atrativo, mas o deslocamento pelas dunas também não deixa nada a desejar. Os carros que transitam por ali são, obrigatoriamente, veículos 4x4, e observamos que a Hilux impera quase absoluta, pois a grande maioria — se não a totalidade — dos veículos que vimos era desse modelo. Impressiona a força que esses veículos desenvolvem. Nas poucas vezes em que atolamos durante o deslocamento, bastou engrenar a marcha a ré para sair daquela posição e, logo em seguida, retomar o caminho para frente. Diferentemente das dunas de Natal, onde os “bugreiros” oferecem passeios com ou sem emoção, nos Lençóis os passeios já guardam certa dose de aventura, pois a quantidade de dunas é infindável. Quando estamos subindo uma delas, não sabemos o que aparecerá pela frente: de repente, surge uma lagoa logo adiante, em uma descida, exigindo que o motorista gire a direção para o lado certo, evitando uma descida brusca. Apesar dessa sensação de emoção, o que presenciamos foi muita firmeza e experiência dos motoristas e grande conhecimento da região. Portanto, relaxem e aproveitem o passeio, pois não só as lagoas surpreendem, mas também os percursos para chegar até elas.
A logística dos passeios também é muito interessante. O veículo que nos transporta nos busca e nos deixa, ao final, na pousada onde estamos hospedados. Ele leva guarda-sol, cadeiras de praia e um cooler bem abastecido com garrafinhas de água mineral, suficientes para todo o passeio. Não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas no Parque; elas somente estarão disponíveis nos restaurantes, por ocasião do almoço. Fomos informados pelos nossos guias de que os guarda-sóis não estão disponíveis nos passeios coletivos, apenas as cadeiras e o cooler. Ainda assim, vale a pena confirmar essa informação com a agência contratada, pois passar um dia inteiro sob o sol não é uma tarefa muito fácil para a maioria de nós. Nesse sentido, recomendamos também levar protetor solar, chapéu ou boné e roupas leves, pois a exposição ao sol nas dunas é intensa. Os óculos de sol também são importantes devido a claridade das dunas, além de proteger os olhos quando estiverem em deslocamento no carro, que é aberto, devido ao vento constante com areia.
No dia seguinte, realizamos o passeio Circuito Ponta Verde. Esse passeio recebe essa denominação porque transitamos por uma área com maior presença de vegetação e alguma fauna típica da região, o que cria um contraste muito bonito com o cenário predominante de dunas e lagoas.

Como no dia anterior, antes de sairmos para o passeio, escolhemos os pratos do almoço. De forma semelhante, fomos parados na entrada do Parque para a verificação do nosso voucher de acesso e, de lá, seguimos para as dunas e para a diversidade de lagoas que surgiam à nossa frente.
No período da manhã, o guia nos levou à Lagoa do Reflexo e posicionou o carro em um local menos movimentado. Era mais uma belíssima lagoa para ser aproveitada. Optamos por permanecer por lá durante toda a manhã, para não perder tempo com deslocamentos, embora essa possibilidade estivesse sempre disponível.

Almoçamos no Restaurante Guapiriba, também rústico e com boa culinária. À semelhança do dia anterior, os pratos foram servidos rapidamente após a nossa chegada, devido a reserva antes do início do passeio. Havia também uma área com redes disponíveis para descanso, o que relaxa depois de uma manhã inteira de passeio sob o sol.

No período da tarde, fomos para a Lagoa da Jangada, onde optamos por permanecer até o final da tarde.

Esse passeio de dia inteiro também contemplava a apreciação do pôr do sol, mas, como já havíamos tido esse prazer no dia anterior, optamos por retornar à pousada para desfrutar um pouco de sua piscina e do restaurante.
No retorno, observamos ainda mais a fauna local, composta por jumentos, vacas, ovelhas, cabras, bodes e uma grande diversidade de pássaros. Entre eles, destacaram-se quatro guarás que estavam na região.
Como dissemos anteriormente, as Hilux imperam soberanas nas dunas dos Lençóis Maranhenses, e observamos também que os modelos de cabine dupla são maioria. Nesse tipo de veículo, a capacidade de transporte é de três passageiros no interior da cabine e mais seis no bagageiro, que é adaptado com duas fileiras de bancos, acomodando três passageiros em cada uma delas. Como éramos seis, fomos todos no bagageiro, onde o passeio se torna mais interessante, pois permite uma visão mais elevada de toda a beleza do Parque. É importante lembrar que, justamente por ser um deslocamento em área de dunas, o trajeto pode ter solavancos e momentos de maior emoção, por isso vale prender bem bonés, óculos, celulares e câmeras durante o percurso.

Depois de dois dias intensos de atividades mudamos para a Vila de Atins.
3) VILA DE ATINS
23AGO (DOM) | SANTO AMARO | CARRO e BARCO Carro: 90 Km de asfalto – 1h30m e Barco: 1h 15m | VILA DE ATINS |
OBSERVAÇÕES: 3 pernoites na Vila de Atins (23 para 24, 24 para 25 e 25 para 26AGO) | |||
ACOMODAÇÃO: VILA CAMURIM – pousada confortável, localizada bem próxima à entrada de m. O quarto oferecia cama king size, TV, ar-condicionado e frigobar. O café da manhã era bastante diversificado. A pousada conta ainda com uma agradável piscina, equipada com espreguiçadeiras molhadas. O espaço onde é servido o café da manhã também funciona como restaurante, atendendo refeições no almoço e no jantar. A pousada oferece transfer da praia de rio — caso a opção tenha sido chegar de barco — até a hospedagem, e vice-versa. Por ocasião da nossa chegada foi oferecido uma bebida de boas-vindas, por sinal maravilhoso e bem servido. No final da tarde a pousada oferece café e chá acompanhado de um bolo caseiro. | |||
Saímos de Santo Amaro de carro em direção a Barreirinhas, a maior cidade da região. Embora a distância não seja muito longa, o trajeto leva cerca de 1h30. A estrada é de mão dupla e bastante movimentada, mas, naquele momento, o asfalto estava em boas condições. Segundo nosso motorista, em razão do período eleitoral, havia sido realizada uma operação de “tapa-buracos”. Ainda assim, é preciso dirigir com atenção, não apenas por causa de eventuais buracos, mas também pela possibilidade de animais cruzarem a pista, como aconteceu conosco, quando um jumento solto atravessou a estrada.
Ao chegar a Barreirinhas, há duas opções principais para seguir até Atins: por terra ou de barco. Fomos informados de que o trajeto por carro é possível, mas muito desconfortável e pouco recomendado. A estrada é de terra, com grande movimento, pois também é utilizada pelos veículos que levam turistas aos passeios oferecidos na região de Barreirinhas. Além disso, alguns trechos permitem a passagem de apenas um veículo por vez; se estiverem alagados e algum carro atolar, o trânsito pode parar nos dois sentidos até que a via seja liberada. Diante dessas informações, concluímos que essa alternativa deveria ser evitada. A opção mais utilizada, tanto por moradores locais quanto por turistas, é o deslocamento por embarcação. Nesse caso, o trajeto direto dura em torno de 1h15m; porém, na ida, aproveitamos para fazer o passeio turístico pelo Rio Preguiças, que é bem interessante e recompensador.
Depois de sairmos de Barreirinhas, ponto de embarque para o passeio, nossa primeira parada foi em Vassouras, no Barracão da Graça. Vassouras é um vilarejo localizado na região conhecida como Pequenos Lençóis. O Barracão da Graça é o principal ponto de apoio local, oferecendo refeições, bebidas e uma área com artesanato. Um dos atrativos da região é a grande quantidade de macaquinhos, que naturalmente chamam a atenção dos turistas e rendem muitas fotografias. Ao lado do Barracão, há uma duna que, quando escalada, dá acesso a lindas lagoas. Foi exatamente isso que fizemos: após vencer o desafio da subida, sem o auxílio de cordas, embora estivesse presente, refrescamo-nos nas lagoas e, em seguida, descemos para saborear uma água de coco no Barracão da Graça. Apesar do nome “Pequenos Lençóis”, de pequeno o lugar não tem nada! Trata-se de mais uma bela região, repleta de dunas e lagoas que podem ser muito bem aproveitadas pelos visitantes.


Saindo de Vassouras, seguimos diretamente para o vilarejo de Mandacaru, onde estão localizados o Farol Preguiças e o Restaurante Cuxá, local em que fizemos nossa refeição. O vilarejo é bem pequeno, e a recomendação é fazer o pedido do almoço e, enquanto ele é preparado, caminhar pela vila. Há uma ruazinha dedicada ao comércio local, repleta de lojinhas de artesanato, e, ao final do passeio, vale visitar o Farol Preguiças, principal ponto turístico da região. Construído em 1909, o farol permanece em funcionamento até os dias de hoje. A visita é gratuita, mas é preciso disposição para subir 160 degraus até o topo, de onde se tem uma linda vista da região. O farol possui 40 metros de altura, e seu mirante está posicionado a 35 metros. O esforço é recompensador.

Depois do almoço, seguimos para a Praia de Caburé. O aspecto mais interessante dessa praia é sua localização entre o Rio Preguiças e o oceano Atlântico. Trata-se de uma estreita faixa de terra que pode ser atravessada a pé, permitindo ao visitante sair da margem do rio e chegar ao contato direto com o mar. Como ocorre em boa parte do litoral nordestino, os ventos são constantes, e entrar no mar exige sempre cuidado, atenção às condições locais e respeito à força das águas.

Depois disso, finalmente chegamos à Vila de Atins. Atins é bastante charmosa justamente por preservar uma atmosfera rústica e tranquila. Suas ruas não possuem calçamento e são formadas pela areia da praia, característica natural da região que reforça o clima simples e acolhedor do vilarejo. O deslocamento local é feito principalmente por veículos 4x4 — em sua maioria, Hilux — ou por quadriciclos, que também são vistos com frequência circulando pela vila. Mas é claro que devido ao seu tamanho, o deslocamento na vila é em grande parte feito a pé mesmo.

No final da tarde do dia em que chegamos, fizemos o passeio denominado Revoada dos Guarás, mais um belo espetáculo da natureza. Deslocamo-nos de barco pelo Rio Preguiças por cerca de 15 minutos, até uma parada próxima à margem do rio, em frente a lindas árvores, para apreciarmos a revoada dos guarás. Essas árvores são o local escolhido por diversas aves para repousarem durante o período noturno. Com o cair da tarde e a aproximação do pôr do sol, muitos pássaros, em bandos, aproximam-se dessa vegetação e ali se acomodam. São várias espécies que utilizam o local, mas o que mais chama a atenção é a beleza dos guarás, cuja cor vermelha se destaca de forma impressionante em meio ao verde da paisagem. Além da revoada, o passeio também permite apreciar a beleza do pôr do sol visto do Rio Preguiças, tornando o fim de tarde ainda mais especial. O passeio completo dura em torno de 2h30, desde a saída até o retorno à praia em Atins.

Na manhã do dia seguinte, realizamos o passeio de dia inteiro denominado Canto do Atins. À semelhança dos passeios realizados em Santo Amaro, o roteiro incluiu a visita a duas lagoas pela manhã, seguida de almoço e, para relaxar ainda mais, outra lagoa no período da tarde. Antes de iniciarmos o passeio, passamos pelo Restaurante da Judite, onde selecionamos os pratos do almoço; como nos passeios anteriores, após a nossa chegada, a refeição não demorou a ser servida. Dispensamos, mais uma vez, a contemplação do pôr do sol, que estava incluída no passeio, para aproveitarmos as facilidades da pousada onde estávamos hospedados. A entrada no Parque por Atins demora cerca de 30 minutos, um percurso mais longo do que em Santo Amaro, mas o trajeto é bastante interessante, pois, além de vermos vegetação e alguns animais, também é possível avistar o oceano. E, por falar em oceano, como o passeio era privativo, poderíamos ter optado por passar parte do tempo no mar, substituindo uma das lagoas. No entanto, devido aos fortes ventos, preferimos permanecer nas lagoas, até porque viemos aos Lençóis Maranhenses justamente por causa delas. Para quem estiver em Atins e gostar de praia, vale avaliar essa possibilidade com o guia, sempre considerando as condições do vento e do mar no dia do passeio.
No período da noite, saímos para caminhar pelas ruas de areia de Atins e fomos fazer um lanche na Vila Buna, um espaço rústico que reúne restaurantes, lanchonetes, loja de artesanato, capelinha e academia de ginástica. O local funciona como ponto de encontro de turistas e moradores, sendo uma boa opção para uma refeição no período noturno. Entretanto, observamos diversos restaurantes espalhados pela vila que, pela aparência e pelo movimento, indicavam boas alternativas caso permanecêssemos por mais noites. Para quem se hospeda em Atins, vale sair sem pressa à noite, pois parte do charme da vila está justamente em caminhar pela areia e descobrir esses pequenos espaços gastronômicos.

No nosso último dia de passeio em Atins, fizemos uma programação de meio período em quadriciclo. Confessamos que ficamos com certa apreensão por não termos experiência em dirigir esse tipo de veículo, muito menos nas dunas. O surpreendente é que consideramos o passeio sensacional. Em todos os passeios anteriores, éramos conduzidos; agora, estávamos conduzindo. O passeio é acompanhado por um guia em seu próprio quadriciclo, que orienta os participantes sobre como operar o veículo e conduz o grupo durante todo o percurso. Solicitamos que o trajeto não tivesse grandes emoções nem surpresas, e tudo transcorreu tranquilamente. A oportunidade de conduzir subindo e descendo dunas, ao lado das lagoas, tornou a experiência inesquecível. Nesse passeio, desfrutamos de duas lagoas, e o retorno à pousada foi realizado logo após o almoço. Para quem nunca dirigiu quadriciclo, é recomendável conversar previamente com a agência e com o guia, informando o nível de experiência e o tipo de percurso desejado.

Um fato que nos chamou a atenção foi não ter sido necessário pagar qualquer taxa para acessar o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses a partir da Vila de Atins. Não sabemos explicar o motivo, mas, em momento algum, fomos alertados sobre essa necessidade. Outro ponto observado foi que, embora houvesse um local de controle de acesso ao Parque, ele estava completamente desguarnecido no momento da nossa passagem. Não podemos afirmar se isso ocorreu por não estarmos em período de alta temporada, mas consideramos importante registrar essa observação. Para quem pretende visitar a região, vale confirmar previamente com a agência, com a pousada ou nos canais oficiais se há cobrança de taxa, necessidade de voucher ou algum procedimento específico para acesso ao Parque por Atins, pois essas regras podem variar ao longo do tempo.
Na manhã do nosso último dia, despedimo-nos de Atins e seguimos de barco para Barreirinhas. Desta vez, o deslocamento foi direto, sem paradas para visitas. O percurso total durou aproximadamente 1h15. Apesar de não haver paradas, navegar pelo Rio Preguiças, por si só, já se torna um passeio turístico, pois o trajeto permite observar a paisagem ribeirinha, a vegetação das margens e o ritmo tranquilo da região antes da chegada a Barreirinhas.

4) BARREIRINHAS
26AGO (QUA) | VILA DE ATINS | BARCO 1h15min | BARREIRINHAS |
OBSERVAÇÕES: 1 pernoite em Barreirinhas (26 para 27AGO) | |||
ACOMODAÇÃO: POUSADA TOCA DOS AVENTUREIROS – localizada às margens do Rio Preguiças, em uma área mais afastada do centro de Barreirinhas. A suíte que selecionamos possuía uma cama de casal e uma de solteiro, além de TV, frigobar e ar-condicionado. O café da manhã servido foi bom e atendeu bem às nossas necessidades. O deslocamento até o centro da cidade, a pé, leva cerca de 20 minutos, o que deve ser considerado por quem pretende circular com frequência pelo calçadão, restaurantes e comércio local. Há serviço de táxi com preços fixos, que, na ocasião, variavam em torno de R$ 25,00 a R$ 30,00 por trecho. A pousada também dispõe de bicicletas para os hóspedes, ao custo de R$ 15,00. Para quem prioriza tranquilidade e contato com o rio, a localização pode ser uma vantagem; já para quem prefere estar próximo à movimentação noturna, talvez seja importante avaliar essa distância antes da reserva. | |||
Pernoitamos em Barreirinhas para conferir os comentários que havíamos observado nas redes sociais a respeito da movimentação noturna da cidade. Barreirinhas é a maior cidade da região dos Lençóis Maranhenses e, por isso, conta com boa infraestrutura de hospedagem, restaurantes, comércio e agências de turismo. No entanto, no que diz respeito ao acesso ao Parque Nacional, ao nosso ver, não é a cidade que deve ser priorizada no roteiro de quem pretende passar mais tempo nas lagoas. As informações que recebemos indicam que o acesso ao Parque, além de mais demorado — cerca de 1 hora —, percorre uma estrada bastante desconfortável. O principal destaque que damos a Barreirinhas é sua importância logística para quem pretende seguir até Atins, especialmente realizando o deslocamento pelo Rio Preguiças, conforme relatamos anteriormente. Assim, dependendo do perfil do viajante e do tempo disponível, não é obrigatoriamente necessário pernoitar na cidade.
Não realizamos nenhum passeio em Barreirinhas, até porque, para nós, o deslocamento mais interessante envolvendo a cidade foi o passeio pelo Rio Preguiças. Aproveitamos a noite para conhecer o tão comentado “agito” local. Barreirinhas possui um calçadão à beira-rio com restaurantes, lojas de artesanato e sorveterias, que atraem turistas e moradores locais, principalmente no período noturno. Os restaurantes mais movimentados costumam oferecer música ao vivo, geralmente mediante o pagamento de couvert artístico. Consideramos o ambiente agradável e interessante para uma noite, especialmente para quem gosta de caminhar, escolher um restaurante com calma e observar o movimento da cidade. Ainda assim, ao nosso ver, nada justificaria estender a permanência em Barreirinhas por muitos dias, caso isso significasse reduzir o tempo destinado a Santo Amaro, Atins ou aos passeios na região do Parque Nacional. Para quem dispõe de poucos dias, talvez a melhor estratégia seja utilizar Barreirinhas como ponto de passagem ou, no máximo, como uma breve parada para conhecer sua estrutura e a vida noturna à beira do rio.

Na manhã seguinte retornamos a São Luís e depois ao Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa.
5) SÃO LUÍS
27AGO (QUI) | BARREIRINHAS | CARRO 4 horas | SÃO LUÍS |
OBSERVAÇÕES: 1 pernoite em São Luís (27 para 28AGO) | |||
ACOMODAÇÃO: CALHAU PRAIA HOTEL – localizado à beira-mar, na região do Calhau. A suíte oferecia cama queen size, TV, frigobar e ar-condicionado. O café da manhã foi muito bom, com grande variedade de opções. O hotel fica distante do Centro Histórico de São Luís, a cerca de 30 minutos de carro, o que deve ser considerado por quem pretende dedicar mais tempo aos passeios culturais pela cidade. Em compensação, sua localização à beira-mar favorece quem deseja descansar próximo à praia. Em frente ao hotel, há um restaurante de praia com excelente infraestrutura para refeições e momentos de descanso nos intervalos dos banhos de mar. Para quem tem apenas uma noite em São Luís e pretende relaxar depois dos deslocamentos pelos Lençóis Maranhenses, a hospedagem nessa região pode ser uma alternativa bastante conveniente. | |||
O tempo reduzido em São Luís do Maranhão ainda nos permitiu conhecer alguns pontos interessantes da cidade. Passeamos pelo Mercado das Tulhas, muito semelhante a um mercado central, com um pouco de tudo que esse tipo de espaço costuma oferecer: produtos regionais, artesanato, bebidas, temperos e lembranças da cultura maranhense. Apesar de o nome remeter a um depósito, trata-se de um mercado tradicional e característico, que vale a visita para quem deseja ter um contato mais direto com os sabores e costumes locais. Almoçamos no restaurante Flor de Vinagreira, que oferecia uma ótima variedade de pratos regionais, em um ambiente com decoração bem atraente e aconchegante. Durante o almoço, fomos acompanhados por música ao vivo, mediante o pagamento de couvert artístico. Em seguida, caminhamos pelas ruas do Centro Histórico até alcançarmos a região do Palácio dos Leões, que, além dessa importante construção histórica, reúne diversas outras edificações que nos transportam aos tempos antigos. Para quem dispõe de pouco tempo em São Luís, essa região é uma boa escolha, pois concentra patrimônio histórico, arquitetura colonial, azulejos portugueses, espaços culturais e boas opções gastronômicas em uma área relativamente próxima.

Com isso finalizamos mais uma linda viagem que estava dentro da nossa “lista de desejos”. O nosso Brasil realmente é lindo e de características únicas em relação a todos os outros países do mundo. Uma diversidade inexistente em qualquer outro lugar do globo.
6) ALGUMAS AGÊNCIAS QUE ATENDEM PASSEIOS PELA REGIÃO
Consideramos muito importante pesquisar bem os preços antes de se aventurar pelos Lençóis Maranhenses. As opções são muitas e, pelo que pudemos constatar, os serviços oferecidos são bastante semelhantes. Por isso, cabe a nós, turistas, buscar a maior segurança possível de que aquilo que foi apresentado pela agência será, de fato, executado durante a viagem. Vale comparar valores, verificar avaliações recentes, confirmar horários, tipo de veículo, modalidade do passeio — privativo ou coletivo —, itens incluídos e eventuais custos adicionais.
Fizemos todos os passeios com a pousada em que ficamos hospedados em Santo Amaro, a Pousada Murici Lençóis, e todos os transfers e passeios foram executados conforme o combinado. Pagamos 50% de sinal no momento da contratação, e os 50% restantes foram pagos somente após a realização do último transfer, que correspondia ao último item contratado, o retorno de Barreirinhas até São Luis. Para quem desejar pesquisar essa opção, o contato é Murici Lençóis: (98) 98123-0357.
Um dos motoristas de aplicativo que nos atendeu em São Luís informou que também realiza transfers privativos para a região dos Lençóis Maranhenses. Pareceu-nos uma pessoa confiável, e ficamos com seu perfil no Instagram: @brtransfer_. Segundo ele, o “br” vem de seu nome, Bruno. Como não chegamos a contratar diretamente esse serviço para os deslocamentos aos Lençóis, recomendamos que os interessados façam contato, confirmem valores, condições e disponibilidade antes de qualquer contratação.
Os transfers que fizemos de São Luís para Santo Amaro e, posteriormente, de Barreirinhas para São Luís foram subcontratados pela Murici, por meio da VIAJE PELAS ROTAS, com a empresa LOBOTUR AGENCY. O serviço foi ótimo e, conversando com o motorista, fomos informados de que, além dos transfers, a agência também providencia passeios na região do Parque Nacional. Portanto, pode ser mais uma opção para comparação de preços e serviços: (98) 99246-2240, Instagram @lobotur_agency.
Outra empresa que oferece transfers na região é a VIAJE PELAS ROTAS, contato (98) 98448-0757, conforme citamos anteriormente foi quem a Murici subcontratou para dois dos nossos transfers. Ou seja, são subcontratações em cima de subcontratações que podem encarecer o serviço!
Além dessas indicações, que podem ser úteis durante as pesquisas, recomendamos também fazer contato com as pousadas em que pretendem se hospedar, pois muitas delas oferecem passeios turísticos pela região ou mantêm parcerias com agências locais. Essa pode ser uma forma prática de organizar o roteiro, principalmente para quem deseja concentrar hospedagem, passeios e deslocamentos em um único canal de atendimento, como foi o nosso caso.
Esperamos, sinceramente, que essas informações sejam úteis para a sua próxima viagem e sirvam, pelo menos, como um pontapé inicial nas suas pesquisas. Naturalmente, preços, contatos, condições de pagamento e serviços oferecidos podem mudar com o tempo; por isso, antes de contratar qualquer empresa ou passeio, recomendamos confirmar tudo diretamente com os prestadores de serviço e, sempre que possível, deixar os combinados registrados por escrito.
7) COMENTÁRIOS
Ser brasileiro e conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é quase uma obrigação, mesmo para aqueles que não sejam tão adeptos a banhos em lagoas ou à exposição prolongada ao sol. Ainda assim, vale ao menos deslocar-se pelas dunas e apreciar a beleza desse gigantesco fenômeno da natureza. A grandiosidade da paisagem, o contraste entre a areia branca e as lagoas de água cristalina e a sensação de imensidão fazem dos Lençóis Maranhenses um destino realmente único no Brasil.
Planejar a viagem, contudo, também não é uma tarefa simples, especialmente porque, antes de irmos, não encontrávamos tantas informações práticas quanto gostaríamos. Depois de vivenciar a experiência, concluímos que a escolha do período do ano é um fator primordial, acompanhada, é claro, da contratação de uma boa agência de turismo para organizar os passeios desejados. As propagandas costumam destacar visitas as lagoas mais conhecidas, como Lagoa Bonita, Lagoa Esmeralda ou outras lagoas nomeadas, mas o que constatamos é que esses nomes funcionam, muitas vezes, como referências geográficas dentro dos roteiros. A maioria das lagoas não possuem nome, e muitas delas são tão bonitas quanto — ou até mais bonitas do que — as mais famosas. Por isso, mais do que se prender apenas ao nome da lagoa, recomendamos observar a duração do passeio, se será de dia inteiro ou de meio período, se é privativo ou compartilhado, quais facilidades estão incluídas — como guarda-sol, cadeiras, água, refeição ou apoio para descanso — e, naturalmente, todos os custos envolvidos. Esses detalhes fazem grande diferença na qualidade da experiência.
Não se esqueçam, é claro, de levar bonés ou chapéus, protetor solar, óculos de sol, camisas com proteção ultravioleta (UV) e roupas leves. Para os passeios nas dunas e lagoas, também é recomendável levar água (caso não seja oferecida), chinelos ou sandálias confortáveis, uma pequena bolsa impermeável para proteger celular e documentos e, se possível, toalha de secagem rápida. Já nas cidades e vilarejos, especialmente no fim da tarde e à noite, vale ter sempre à mão repelente contra mosquitos. São cuidados simples, mas que fazem grande diferença para aproveitar melhor os passeios e evitar desconfortos durante a viagem.
8) CONCLUSÃO
O principal objetivo deste resumo é registrar nossa viagem e, ao mesmo tempo, compartilhar a experiência com outras pessoas que, assim como nós, gostam de viajar, explorar pequenas cidades, ter contato com a natureza e experimentar as gastronomias regionais.
Ficamos à disposição de quem quiser saber mais ou aprofundar qualquer uma dessas informações por meio de nossas redes sociais: @experientesemviagens ou no sitio www.experientesemviagens.com.br. Também estamos abertos a sugestões que possam contribuir para aprimorar ainda mais os relatos de nossas aventuras. Outras fotos e registros desta viagem estão disponíveis nos destaques da nossa conta no Instagram.
Durante a viagem, nos deslocamos de São Luís do Maranhão até a região do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, onde nos hospedamos em Santo Amaro, Vila de Atins e Barreirinhas.

Destacamos que o trecho Barreirinhas x Atins x Barreirinhas foi realizado em embarcação pelo Rio Preguiças, o recorte do mapa tem o objetivo maior de apresentar a distribuição espacial do percurso.

Boa viagem, e espero que esse roteiro contribua para torná-los ainda mais Experientes em Viagens!




Muito legal! Tudo muito bem detalhado e com dicas valiosas!