MENDOZA a Capital Internacional do Vinho

EXPERIENTES EM VIAGENS
em MENDOZA (ARGENTINA)
14 a 23ABR26
Se você é fã de um bom vinho acompanhado de uma bela carne, peixes, massas, saladas,..., já pode anotar: Mendoza precisa entrar na sua “lista de desejos” (wish list/bucket list). E não é exagero — por lá, isso simplesmente não falta. Aliás, foi exatamente isso que mais encontramos… e, sem dúvida, o que mais aproveitamos durante nossa estadia nessa região incrível da Argentina. Não é à toa que se intitula "Mendoza a Capital Internacional do Vinho".

É importante destacar que Mendoza é uma província (como se fosse um estado brasileiro) que tem como capital a Ciudad de Mendoza. Portanto às vezes falamos de um vinícola de Mendoza, mas que pode ficar afastada da Ciudad de Mendoza, pois está localizada dentro da província de Mendoza. Ficou confuso? É só raciocinar com o Estado de São Paulo e a cidade de São Paulo, ou o Estado do Rio de Janeiro e a cidade do Rio de Janeiro.
Mas calma, porque a região de Mendoza não é feita só de vinícolas (apesar de elas serem espetaculares!). Por exemplo, a Ciudad de Mendoza também surpreende — e muito. É uma das cidades mais arborizadas que já visitamos, cheia de praças charmosas e parques agradáveis que convidam a uma caminhada sem pressa. Mendoza é a quarta maior cidade da Argentina em população e a segunda mais importante em termos turísticos, ficando atrás apenas de Buenos Aires.

Por isso, quando estiver planejando sua viagem, não cometa o erro de usar a Ciudad de Mendoza apenas como base para as vinícolas. Reserve um tempinho para explorá-la, sentir o clima local e curtir tudo o que ela tem a oferecer.
Outro ponto alto da região é um passeio imperdível que pode sair da própria Ciudad de Mendoza e seguir em direção à fronteira com o Chile, passeio esse conhecido como Alta Montanha. Prepare-se para paisagens de tirar o fôlego — é aquele tipo de lugar que faz você querer parar o carro a cada curva para admirar (e fotografar, claro!). Esse roteiro merece, facilmente, um dia inteiro do seu planejamento.

E foi exatamente assim que fizemos: aproveitamos Mendoza ao máximo, dentro do tempo que alocamos. Entre uma taça e outra, exploramos vinícolas incríveis, mas também abrimos espaço para conhecer a cidade e seus arredores — e valeu cada minuto.
Então, bora embarcar com a gente nessa viagem?
1) PLANEJAMENTO DA VIAGEM PARA MENDOZA
Não consideramos que seja uma atividade simples de planejar — mas pode ter certeza: ela é essencial para aproveitar bem a viagem.
A província de Mendoza é um destino muito visitado, principalmente por nós, brasileiros. Aliás, durante nossos passeios, era o que mais encontrávamos por lá. Brincávamos que, se os brasileiros deixassem de ir a Mendoza, a economia local sentiria bastante. Em resposta, um argentino comentou que algo parecido acontecia com Búzios, já que foi o que ele mais encontrou ao visitar essa charmosa cidade litorânea do nosso Rio de Janeiro: argentinos. No fim das contas, estávamos empatados — e felizes por podermos desfrutar dessas regiões incríveis.
Por ser um destino tão procurado, o planejamento faz toda a diferença. Nós, brasileiros, costumamos nos referir a Mendoza como uma cidade, mas ela é, na verdade, uma província — e podemos afirmar: é enorme. Ela ocupa a 7ª posição entre as 23 províncias argentinas em termos de área.
Na nossa experiência, as principais regiões vinícolas estão em Maipú e Luján de Cuyo, ambas mais próximas da Ciudad de Mendoza; e no Vale do Uco. No famoso Vale do Uco, estão cidades como Tupungato e Tunuyán. Para você ter uma ideia, visitar uma vinícola em Tunuyán pode significar cerca de 1 hora de carro para ir e mais 1 hora para voltar — ou seja, 2 horas preciosas do seu dia na estrada, caso esteja hospedado na Ciudad de Mendoza.
Por isso, planejar com antecedência quais vinícolas você deseja visitar é fundamental. Dependendo do seu roteiro, até mudar de hospedagem pode valer muito a pena — e foi exatamente o que nós fizemos. Ficamos alguns dias na Ciudad de Mendoza e outros no Vale do Uco, o que trouxe uma ótima economia de tempo.
Outro ponto importante: vinícolas renomadas como Catena Zapata, Casa Vigil (El Enemigo), Zuccardi, Rutini Wines, entre outras, são muito disputadas. Em alguns casos, é necessário reservar com meses de antecedência — então fique atento a isso.
Também é essencial considerar os valores das experiências. De modo geral, as vinícolas oferecem diferentes opções: visitas com ou sem degustação, experiências com almoço, com lanche ou até apenas acesso à loja. E, claro, esse “cardápio” é ainda mais amplo do que parece — há diversas combinações possíveis.
Para otimizar seu tempo, a dica é simples: escolha as vinícolas que deseja visitar, acesse o site oficial de cada uma e faça sua reserva. Em muitos casos, é cobrado um valor antecipado (sinal), que depois é descontado do total da experiência ao final da visita. Observe a localização dessas vinícolas no mapa (google maps) e depois decida se vale a pena permanecer em um só local durante a sua estadia em Mendoza.
No nosso caso, optamos por não visitar as vinícolas mais famosas, principalmente por conta dos preços — algumas experiências com almoço chegam a custar cerca de R$ 1.000 por pessoa. Em vez disso, escolhemos vinícolas menores e tivemos experiências incríveis: atendimento mais exclusivo, vinhos deliciosos e refeições em cenários dignos de filme.
Em alguns dias, preferimos apenas explorar bons restaurantes em meio às vinhas — e pode acreditar: lugares bonitos e agradáveis não faltam por lá.
Seguindo essas dicas, seu planejamento tende a ficar muito mais eficiente, tanto em relação ao tempo quanto aos custos da viagem.
Então, vamos nessa conhecer um pouco de Mendoza a Capital Internacional do Vinho?
Nossa aventura começou em São Paulo, com um voo direto da GOL Linhas Aéreas rumo à Ciudad de Mendoza — e já adianto: foi só o começo de dias inesquecíveis.
2) CIUDAD DE MENDOZA
DATA | ORIGEM | DIST/TEMP | DESTINO |
14ABR (TER) | SÃO PAULO 09h 15min | AVIÃO 3h23min | CIUDAD DE MENDOZA 13h30min |
OBSERVAÇÕES: 4 noites na Ciudad de Mendoza (14 para 15, 15 para 16, 16 para 17 e 17 para 18ABR). na chegada à Ciudad de Mendoza e receber automóvel alugado (ENTERPRISE) | |||
ACOMODAÇÃO: Hotel Diplomatic: excelente hotel, localizado a poucas quadras da Plaza Independencia (praça principal da cidade de Mendoza), próximo à Rua Aristides (via repleta de bares e restaurantes, conhecida como a rua mais movimentada da cidade) e a cerca de 15 minutos de caminhada do Parque General San Martín (principal parque da cidade, equivalente ao Ibirapuera, em São Paulo, ou ao Parque da Cidade, em Brasília), ponto imperdível para os turistas. Os quartos do hotel eram amplos e muito confortáveis, com cama king size, televisão de 55 polegadas, frigobar, além de banheiro com banheira e chuveiro separados. O hotel dispõe de spa com piscina, boa sala de musculação, sauna seca e sauna escocesa (todas incluídas na diária), além de oferecer diferentes tipos de massagens, mediante agendamento e com custo adicional. Há oferta de café expresso à vontade, a partir das 13h, em ambiente próximo à recepção. O café da manhã é excelente, com diversas opções que atendem a diferentes paladares. O hotel conta ainda com estacionamento coberto e fechado, disponível aos hóspedes sem custos adicionais. Dispõe também de serviço de concierge, que possibilita o agendamento de passeios e fornece orientações sobre as principais atrações da cidade. Um ponto interessante é que os quartos não utilizam chaves nem cartões magnéticos. O acesso é feito por meio de um aplicativo instalado no celular, que, ao ser acionado próximo à fechadura, libera a entrada. Embora essa tecnologia já esteja presente em outros hotéis, essa foi a nossa primeira experiência com esse sistema. | |||
Foi por meio do serviço de concierge do hotel que reservamos alguns passeios e recebemos ótimas dicas sobre o que visitar.
Sem a intenção de esgotar tudo o que a Ciudad de Mendoza tem a oferecer, reunimos aqui o que conseguimos conhecer durante nossa estadia — estivemos na cidade em dois momentos, na chegada e antes do retorno, o que ajudou a completar o roteiro com mais calma. No retorno, foi justamente para estarmos mais próximos do aeroporto, visitar o que faltou e fazer aquelas últimas comprinhas.
Começamos pelo Parque General San Martín, sem dúvida a atração mais visitada. Impressiona não só pelo tamanho, mas pela quantidade de opções: há clubes, museus, estádios, bares/restaurantes, áreas para atividades ao ar livre e muito mais. Comparando, ele nos pareceu bem maior que o Ibirapuera, em São Paulo, ou o Parque da Cidade, em Brasília. Mesmo com uma visita breve, deu para perceber como o parque faz parte do dia a dia dos moradores. Para turistas, caminhar pelo Lago, visitar a Fuente de los Continentes e conhecer o Rosedal já valem muito a pena. O Parque abriga ainda o Cerro San Martin, um morro que se eleva a 1.000 metros de altitude acima do nível do mar que permite lindas vistas da cidade, além de abrigar no seu topo uma enorme e bela escultura, de autoria do uruguaio Juan Manuel Ferrari, que foi o ganhador do concurso para a confecção do Monumento em comemoração ao Centenário da Revolução de Maio. Pode parecer estranho ser um uruguaio, mas é importante destacar que ele iniciou os seus estudos na Escola de Belas Artes de Buenos Aires e completou a formação acadêmica no Real Instituto de Belas Artes de Roma, portanto o autor tinha um estreito contato com a Argentina. Pode-se acessar esse Cerro de carro, mas observamos no caminho muitas pessoas caminhando, correndo ou acessando de bicicleta. Um estacionamento e um restaurante/bar no alto completam o ambiente agradável para a visita e porque não dizer apreciar o pôr do sol nesse lugar!

Durante a sua estadia na Ciudad de Mendoza, você irá observar que ela é extremamente arborizada, por isso considerada uma “Cidade Bosque”. Acreditamos, inclusive, que tenha sido a cidade mais arborizada que já visitamos. Ao longo de todas as calçadas, próximas ao meio-fio, é possível notar valas profundas típicas da cidade. Inicialmente, pensamos que fossem para facilitar a remoção de neve, mas isso raramente acontece por lá. Na verdade, elas são planejadas para irrigar as raízes das árvores — algo realmente incrível! Não nos lembramos de ter visto esse sistema em outras cidades com esse objetivo. Em verdade são as acequias — canais que irrigam as raízes das árvores com água do degelo dos Andes.

Complementando todo esse paisagismo, observamos uma quantidade bastante considerável de praças, mas cinco delas chamaram mais atenção pelo seu posicionamento no mapa: uma central, maior, e quatro ao seu redor, formando quase um quadrado perfeito. Três delas merecem visita obrigatória, enquanto as outras duas ficam como opção, caso haja tempo.

A praça principal, localizada no centro desse quadrado, é a Plaza Independência, que combina natureza e vida urbana em um só lugar. Rodeada por árvores e fontes, é um refúgio agradável em meio ao movimento da cidade. Nela também está o letreiro “Mendoza”, muito procurado pelos turistas para fotos. À noite, uma estrutura iluminada destaca as cores da bandeira local, dando um charme especial ao ambiente.

A Plaza España, localizada em uma das extremidades desse quadrado, se destaca pelo seu estilo diferenciado e repleto de história e significado. Foi financiada pela comunidade espanhola local como forma de homenagear suas raízes. O encantamento está nos mosaicos coloridos, azulejos e detalhes que celebram a cultura da Espanha. O piso em azulejos avermelhados chama bastante atenção, fugindo do padrão que estamos acostumados a ver. Outro ponto marcante, em posição de destaque, é a grande escultura revestida com quadros de azulejos, que retratam a história, a cultura e as diferentes regiões espanholas. É um espaço muito agradável para passear, apreciar a arquitetura e fazer uma pausa em meio ao verde.

A Plaza Italia é mais uma charmosa praça, desta vez em homenagem à forte influência italiana na cidade. Com seu coreto central, fontes delicadas e um belo monumento que celebra a imigração italiana, chama atenção por um detalhe curioso: a água da fonte tem coloração avermelhada, uma referência simbólica ao vinho — elemento marcante da cultura local. Seus caminhos bem cuidados e o ambiente acolhedor fazem dela mais um local agradável para caminhar e apreciar a herança europeia presente na cidade.

Não consideramos essencial, mas, caso tenha tempo, vale conhecer também a Plaza Chile e a Plaza San Martín, que completam esse quadrado e possuem suas próprias histórias e esculturas interessantes.
Para quem gosta de história, não deixe de visitar o Museo del Area Fundacional (MAF). O museu é um convite a voltar no tempo e conhecer as origens da cidade. Com entrada franca, está localizado na Plaza Pedro del Castillo, exatamente onde a Ciudad de Mendoza foi fundada. O espaço preserva ruínas e vestígios arqueológicos dispostos no próprio piso, em áreas cercadas que permitem excelente visualização, mostrando como era a vida antes e depois do terremoto de 1861.

Foi durante a visita ao museu que descobrimos a possibilidade de conhecer as ruínas jesuítas de San Francisco, localizadas a poucos passos dali. É possível caminhar pelo interior do que restou da igreja, que já foi a maior da região em sua época, antes de ser destruída pelo terremoto de 1861. Construída no século XVIII, impressiona pela espessura de suas paredes, que, ainda assim, não resistiram ao tremor. Fica evidente o esforço de preservação do local, dada sua importância histórica.

Complementando esse roteiro histórico, visitamos o Museu Casa de San Martín, que preserva a memória do General Don José de San Martín, uma das figuras mais importantes da América do Sul, que viveu ali quando foi governador e intendente de Cuyo, entre 1814 e 1816. A visita é autoguiada e, logo na entrada, recebemos um folheto plastificado com os principais destaques. Um dos pontos mais interessantes é o piso de vidro, que permite observar as ruínas das construções abaixo — mostrando que o local abrigou não apenas a casa do general, mas também outras edificações posteriores, formando diferentes camadas históricas. No andar superior, há uma réplica da bandeira oficial da província de Mendoza, bordada pelas Damas da Associação Pro Glorias Mendocinas, além de um quadro que retrata o General Don José de San Martín.

Ainda nessa região, visitamos o Mercado Central, em funcionamento desde 1883. É uma boa opção para comprar vinhos, azeites, queijos e outros produtos típicos, ou simplesmente para uma visita, almoço ou lanche. Não é uma construção muito bonita — pelo contrário, é bem simples —, mas oferece boa diversidade de lojas. Para quem vai a Mendoza em busca de vinhos, vale a pena comparar os preços com os supermercados, pois encontramos boas promoções por lá.

Um dos pontos que também deve constar das suas caminhadas é a Rua Arístides. Talvez não seja exatamente a principal da cidade, mas com certeza é a que concentra o maior número de bares, restaurantes, cafeterias e sorveterias — tudo praticamente um ao lado do outro, em diversos quarteirões.

As calçadas são largas, o que permite que muitos estabelecimentos coloquem mesas e cadeiras ao ar livre, deixando o ambiente mais agradável e convidativo, especialmente no fim da tarde.
Um ponto que nos incomodou um pouco foi o fato de muitos restaurantes manterem garçons ou atendentes na porta, abordando os clientes para convidá-los a entrar. Como isso acontece com bastante frequência ao longo da rua, acaba tornando o passeio um pouco cansativo. Na prática, esse tipo de abordagem não parece atrair mais clientes — pelo contrário, pode até afastar.
Também notamos a presença de ambulantes tentando vender alguns produtos. Não são muitos e, de modo geral, não chegam a ser insistentes, mas ainda assim é algo que pode incomodar um pouco.
Apesar desses detalhes, achamos que vale muito a pena incluir a Rua Arístides no roteiro, principalmente para apreciar o final de tarde e aproveitar o clima descontraído da região.
Aproveitando o assunto “ruas”, a Rua Sarmiento também merece uma caminhada. Ela vai do entorno da Plaza Independencia até o portão principal de entrada do Parque General San Martín. Ao longo do trajeto, encontramos restaurantes, bares, lojas de vinhos, chocolaterias, sorveterias e cafeterias. É uma rua bem mais tranquila que a Rua Arístides e, por lá, não fomos abordados com convites insistentes como aconteceu na outra. Fica, portanto, mais essa dica.

Sabemos que viajar para o exterior para visitar shopping centers não costuma estar entre as prioridades dos turistas, mas talvez valha abrir uma exceção para conhecer o Palmares Mall. Além da parte interna, no estilo tradicional e coberto, o local conta com uma área externa charmosa e acolhedora, com um paisagismo bonito e repleto de restaurantes, bares, cafeterias, sorveterias e chocolaterias, que atraem não só moradores, mas também turistas, como nós.

E agora entrando no mundo dos vinhos, vamos apresentar as vinícolas que tivemos a oportunidade de conhecer.
Por intermédio do Concierge do hotel Diplomatic, foi feita uma reserva para nós em um passeio de dia inteiro, com saída e retorno ao hotel, com a Mayas Viajes y Turismo — e podemos dizer que foi uma excelente escolha. O tour incluiu a visita a três vinícolas menores e a uma fábrica de produção de azeites, todos localizados na charmosa região de Maipú.
Começamos pela Bodega Baudron, que foge do circuito das grandes vinícolas e oferece uma experiência muito mais intimista e acolhedora. Éramos um grupo de apenas 15 pessoas, o que fez toda a diferença. A vinícola tem tradição — foi fundada em 1940 — e segue ativa até hoje. Durante a visita, conhecemos de perto todo o processo de produção, caminhamos pelos vinhedos e participamos de degustações generosas, com rótulos que surpreenderam pela qualidade. Um dos pontos altos foi ver o processo completo, desde a produção até o envase, com as garrafas sendo preparadas, embaladas e organizadas para distribuição. Foi aquele tipo de experiência que proporciona uma conexão verdadeira com o universo do vinho — um começo de roteiro com o pé direito.

Em seguida, visitamos uma fábrica de produção de azeite: a Pasrai SRL, produtora de azeites desde 1920. Foi interessante descobrir que a Argentina é o 6º maior produtor mundial de azeite de oliva — e a qualidade realmente impressiona. A visita trouxe uma proposta diferente e complementar às vinícolas. Conhecemos todo o processo de produção, desde os métodos mais antigos, com moinhos de pedra de até 7 toneladas, até as técnicas modernas. Caminhamos entre as oliveiras e participamos de uma degustação farta dos azeites produzidos ali. Um detalhe curioso: foi o local aonde vimos mais gente comprando produtos — os azeites fizeram mais sucesso que os vinhos! Vale muito a pena incluir uma fábrica dessas no seu roteiro para diversificar a experiência.

Depois seguimos para a Vistandes, uma vinícola projetada e construída por seus proprietários em 2006, uma família mendocina com mais de 30 anos de experiência em atividades agrícolas. Com arquitetura moderna e bem diferente das demais, o espaço também abriga áreas culturais — tivemos a sorte de encontrar uma exposição de obras de arte logo na entrada. Assim como nas outras visitas, conhecemos as instalações, aprendemos sobre o processo de produção e, ao final, participamos de uma degustação em um ambiente agradável e bem estruturado.

Para fechar o dia, visitamos a Bodega Florio, mais uma vinícola familiar que encanta pelo clima acolhedor. A visita seguiu o mesmo formato: apresentação do processo produtivo e, claro, degustação dos vinhos da casa. Um encerramento leve e agradável para um dia já repleto de boas experiências.

Vale destacar — sem querer soar repetitivo — que todas essas vinícolas estão cercadas por seus próprios vinhedos, o que torna cada visita ainda mais especial. Além disso, a proximidade com a Cordilheira dos Andes cria cenários incríveis, perfeitos para fotos e momentos contemplativos. É o tipo de paisagem que faz qualquer roteiro ficar ainda mais inesquecível.
Seguindo novamente a indicação do Concierge do hotel, reservamos uma experiência muito interessante na Casarena Bodega y Viñedos, localizada em Luján de Cuyo. Fomos muito bem recebidos por Heide Olmedo, uma mendocina que conhece profundamente todo o processo de elaboração do vinho, desde a plantação até a fermentação e produção. Apesar de ser relativamente nova, fundada em 2007, a bodega funciona em uma construção histórica de 1937, cuidadosamente restaurada, o que torna a visita ainda mais interessante ao unir o antigo ao moderno.
Após visitarmos todas as instalações de produção, sempre acompanhados de degustações de diferentes vinhos, seguimos para o restaurante, onde nos foi servido um lanche com pães, queijos, frios e molhos, que superou nossas expectativas. No momento da reserva, foram apresentadas diversas opções de alimentação, que vão desde esse tipo de lanche até almoços completos, com carnes, pescados e outras alternativas.

O que mais nos encantou foi a localização do restaurante, com vista para os vinhedos, alguns olivais e, ao fundo, a Cordilheira dos Andes — simplesmente inesquecível, despertando aquela vontade de permanecer por mais tempo. E vale destacar: em nenhum momento nos sentimos pressionados a sair, mesmo consumindo menos do que um almoço tradicional.
Fizemos também uma visita bem rápida à Bodega Lamadrid Estate Wines, também localizada em Luján de Cuyo, uma vinícola boutique com atendimento personalizado. Nos chamou atenção a homenagem que o proprietário, Guillermo García Lamadrid, faz à sua mãe, Matilde, destacada em uma placa: “Lamadrid rinde homenaje a mi madre Matilde, la mujer que me abrió esta puerta para darme la oportunidad de vivir en libertad y desplegar mis alas para disfrutar de la magia de la vida”.

Mesmo permanecendo por pouco tempo, fomos recebidos com uma taça de vinho, e a guia, muito gentil, explicou como funcionavam as experiências e a possibilidade de fazer reservas on-line. A região é muito agradável, e o restaurante, bastante charmoso. Uma opção que vale a pena considerar na sua visita.
A Bodega Dante Robino foi mais uma das pequenas vinícolas que selecionamos para a nossa visita. A grande felicidade foi termos recebido um atendimento exclusivo e extremamente dedicado. Além da visita, degustamos alguns dos deliciosos vinhos produzidos pela vinícola. A experiência tornou-se inesquecível quando soubemos que o vinho Gran Dante Malbec 2021 foi eleito o melhor Malbec do Mundo no International Wine Challenge (IWC) 2024, uma das competições de vinho mais prestigiadas do mundo. O rótulo recebeu 96 pontos e conquistou o International Malbec Trophy após degustações às cegas realizadas por especialistas renomados.

Finalizamos com chave de ouro a nossa permanência na região da Ciudad de Mendoza visitando a Finca Bandini, também localizada em Luján de Cuyo. Fomos recebidos por Agustín, sommelier e nosso guia durante toda a visita. Trata-se de uma vinícola relativamente nova, fundada em 2014, que nasceu do sonho de Federico Bandini, um mendocino que vive nos EUA, mas retornou à sua terra natal para realizá-lo. Apesar de não residir em Mendoza, ele realiza reuniões semanais por videoconferência para acompanhar o andamento da vinícola e, em média, a cada dois meses, está presente na região — ou seja, administra de perto o seu empreendimento.
Seu posicionamento é privilegiado, já que o rio Mendoza, responsável por abastecer toda a região, passa por suas terras. Foi interessante saber que eles possuem uma represa particular, que armazena a água do rio com o objetivo de irrigar os vinhedos por gotejamento. Para isso, pagam uma taxa adicional que permite captar e estocar essa água.
A visita é muito interessante: após estacionarmos na “recepção” da vinícola — que, na verdade, é uma bela residência com um visual agradabilíssimo — e sermos recebidos com um cálice de vinho, seguimos em um carrinho de golfe pelos vinhedos e pelas áreas de elaboração do vinho. Tudo é feito com calma, permitindo esclarecer dúvidas e curiosidades (que, no nosso caso, não foram poucas).
Depois, fomos levados ao restaurante, onde escolhemos nossa mesa nos jardins, sob as copas das árvores, ao lado dos vinhedos e com uma vista da Cordilheira dos Andes capaz de impressionar qualquer apreciador de paisagens. Dessa vez, nossa reserva incluía um almoço completo: além da entrada, escolhemos dois pratos de carnes deliciosos. Não provamos a sobremesa apenas por estarmos evitando doces, mas percebemos que as opções eram bastante convidativas. Tudo, claro, acompanhado de ótimos vinhos — inclusive o vinho que harmonizava com a sobremesa foi servido, mesmo sem termos pedido o prato.

Foi mais uma experiência incrível e que reforça uma dica importante: escolher vinícolas menos famosas pode proporcionar experiências iguais ou até melhores do que as mais conhecidas, especialmente pelo atendimento mais exclusivo e diferenciado.
Após termos essas experiências maravilhosas deixamos a Ciudad de Mendoza e fomos para o Vale do Uco conhecer essa outra região vinícola.
3) VALE DO UCO
18ABR (SAB) | CIUDAD DE MENDOZA | CARRO 92 Km – 1h30m | TUPUNGATO (VALE DO UCO) |
OBSERVAÇÕES: 3 pernoites em Tupungato (18 para 19, 19 para 20 e 20 para 21ABR) | |||
ACOMODAÇÃO: HOTEL DE CIELO – O hotel fica localizado em Tupungato, no interior da Estância Atamisque. É simplesmente inesquecível. Todas as habitações são chalés, com a parte frontal totalmente em vidro, permitindo apreciar o visual espetacular da Cordilheira dos Andes. Diversas seções de cortinas estão disponíveis ao longo da parede de vidro, possibilitando o escurecimento e a privacidade no chalé. Algumas dessas seções (as posicionadas à frente da cama) possuem acionamento por controle remoto, permitindo, ao acordar, apreciar a beleza da natureza.Os chalés são circundados pela vegetação típica da região, o que torna tudo ainda mais perfeito; era comum vermos lebres saltitando próximas a nós. Essa estância pode ser comparada a um “condomínio”, com uma portaria que controla o acesso dos visitantes. É muito extensa e, além de diversos lotes com habitações, dispõe de um estabelecimento para cavalgadas e de um clube de vinho. Há muita natureza, nenhum tipo de calçamento — tudo é em piso natural da região, como areia e pedra — e não há iluminação nas ruas.O quarto era bem espaçoso, com uma cama de casal king size e uma banheira posicionada no próprio quarto, próxima ao vidro frontal do chalé. Havia também um banheiro com chuveiro e uma pequena cozinha, com pia e frigobar, mas faltavam utensílios domésticos, como talheres. Uma cafeteira Nespresso estava disponível, e o refil de cápsulas podia ser solicitado à vontade na recepção do hotel.A recepção ficava a certa distância do nosso chalé, equivalente a caminhar dois quarteirões pequenos. Nessa área era servido o café da manhã, que consideramos fraco para o padrão do hotel.A área da recepção é bem aconchegante. Em seus jardins há uma piscina não aquecida, que acabou sendo mais útil para fotos. Também há cadeiras de piscina e uma área para churrascos e confraternizações. No interior, há uma mesa grande para o serviço de café da manhã e jantar, o que favorece a integração entre os hóspedes. Uma linda lareira compõe o ambiente, tornando tudo ainda mais elegante.Todos os dias recebíamos o cardápio do jantar, ao custo de 60.000 pesos argentinos, para decidir se queríamos ou não jantar no hotel. É importante considerar que não há outras opções nas proximidades, portanto planeje-se.Soubemos que o hotel permite a realização de diferentes eventos, inclusive casamentos; poucos dias antes da nossa hospedagem, ocorreu uma cerimônia.O hotel fica a cerca de 19 km do centro de Tupungato, sendo aproximadamente 9 km em estrada sem calçamento e sem iluminação. Portanto, fica a dica: se escolher esse hotel, evite chegar à noite no primeiro dia. Mesmo já hospedados, chegamos à noite na segunda noite e a experiência não foi agradável. A sinalização da entrada da estância é precária e mal iluminada. Uma vez dentro da porteira, quase não há indicações para chegar ao hotel — vimos apenas uma placa já bem próximos indicando a direção do hotel.É uma experiência ambígua: gostamos muito da estadia, mas não retornaríamos. Com poucas e simples melhorias, o hotel se tornaria ainda mais atraente. Leve isso em consideração ao decidir hospedar-se no local.![]() | |||
No dia que trocamos do hotel Diplomatic para o Hotel de Cielo, deixamos a Ciudad de Mendoza bem cedo, pois queríamos fazer o famoso passeio das Altas Montanhas, e recomendamos muito que o façam, pois é cinematográfico tudo o que se vê no caminho.

Caso esteja de carro, como nós estávamos, e partindo da Ciudad de Mendoza, coloque no navegador: Cacheuta; Potrerillos; Uspallata; Puente del Inca; e Mirador Aconcágua. Pronto! Fazendo esse percurso, você terá a oportunidade de apreciar o que há de mais atraente em todo o trajeto. No total, são 182 km percorridos em 3h19min, sem contar o tempo das paradas para fotos e, claro, o regresso. Portanto, é um passeio de dia inteiro; por isso, optamos por fazê-lo no último dia da hospedagem no Hotel Diplomatic, onde fizemos o checkout, o passeio das Altas Montanhas e retornamos direto para fazer o check-in no Hotel de Cielo (Vale do Uco).
No percurso para as Montanhas Altas, nossa primeira parada foi em Potrerillos, um destino único que combina paisagens imponentes e transmite grande tranquilidade, contemplação e paz. O grande destaque da região é a Represa de Potrerillos, um imenso espelho d’água de tons azul-turquesa, cercado por montanhas áridas e, durante o inverno, por picos nevados, criando um contraste visual impressionante. Essa represa desempenha um papel essencial no abastecimento de água de Mendoza — água proveniente do degelo dos Andes — sendo fundamental também para a irrigação das diversas plantações de uvas e para a geração de energia. Ao mesmo tempo, oferece opções de lazer, como esportes náuticos, pesca e trilhas.

É uma estrada cênica: a cada curva, surge o desejo de encostar o carro para registrar fotograficamente o lindo visual que se descortina à nossa frente. Nesse caminho, temos a plena convicção de como não representamos nada diante do gigantismo da natureza. A estrada é muito boa e segura para dirigir. Além das montanhas que acompanham todo o percurso, em ambos os lados, os túneis cavados na rocha tornam o visual ainda mais atrativo. Só o passeio de carro, sem parar em lugar algum, já é uma experiência turística inesquecível.

A segunda parada que fizemos foi em Uspallata, uma charmosa vila andina que reforça sua importância pela posição estratégica, próxima à fronteira com o Chile. A paisagem local não difere muito da que vínhamos observando no trajeto, mas a cidade se destaca pela quantidade de restaurantes e bares para uma pausa — e foi exatamente isso que fizemos. No entanto, não estávamos sozinhos: diversos ônibus e vans também fazem essa parada para descanso. Uspallata possui, ainda, relevância histórica, tendo sido passagem do Exército dos Andes, liderado por José de San Martín, durante a campanha de independência.
O ponto mais distante do nosso trajeto ocorreu quando chegamos ao Mirante do Cerro Aconcágua. O local possui uma estrutura para receber visitantes, com um ponto de informações turísticas e banheiros. Lá, fomos informados de que haviam duas opções de passeio: uma, no valor de 1.000 pesos argentinos por pessoa, que consistia em seguir de carro por 1.300 m e, a partir daí, estacionar e fazer uma caminhada de cerca de 45 minutos (ida e volta), em uma trilha considerada leve, com suaves aclives e declives; a outra opção, gratuita, era uma curta caminhada de 400 m até um mirante que permite visualizar o Cerro Aconcágua, partindo do ponto próximo ao centro de apoio. Por orientação dos próprios atendentes, fizemos a caminhada de 400 m, pois o Aconcágua estava totalmente encoberto, sem previsão de abertura. Apesar da frustração por não termos conseguido avistar essa monumental montanha, o visual ao redor justifica o passeio. O Cerro Aconcágua possui 6.960,8 m de altitude, enquanto o local onde estávamos fica a cerca de 2.800 m acima do nível do mar.

Após essa visita, iniciamos o retorno, mas fizemos uma parada no Monumento Natural Puente del Inca, uma das formações naturais mais impressionantes da região andina. Trata-se de uma ponte rochosa natural que atravessa o rio Cuevas, marcada por suas cores vibrantes — tons de amarelo, laranja e ocre — resultantes da ação de minerais presentes nas águas termais que fluem permanentemente pela formação. A ponte remonta ao período pós-glacial, quando materiais de origem aluvial deram forma a esse belo monumento; seu nome faz referência às visitas que os povos incas realizavam ao local. Além de sua beleza singular, possui valor histórico: no início do século XX, abrigou um hotel termal, construído em 1925, cujas habitações contavam com banhos termais privativos — um verdadeiro luxo para a época. Esse hotel teve um fim trágico após uma avalanche, em 1965. O monumento está a cerca de 2.700 m de altitude. Para acessar esse cenário impressionante, passamos por uma feirinha de artesanato típico da região. Por fim, chegamos ao hotel e aí sim estávamos hospedados no Vale do Uco.

Fizemos alguns passeios bem interessantes na região do Vale do Uco, visitando vinícolas e aproveitando alguns restaurantes de que gostamos muito, tanto pelo atendimento quanto pela qualidade.
Vamos iniciar pelo Entre Dos Viñedos, uma franquia da Entre Dos, uma fábrica de alfajores de Mendoza, que possui unidades distribuídas por diversas cidades — e foi uma delas que fomos visitar. Não se trata de uma vinícola, mas de uma lanchonete bem charmosa, rodeada por plantações de uva, o que torna o local bastante agradável. Fizemos uma breve parada apenas para tomar um café e apreciar o lugar. Perguntamos o que acontecia com as uvas daquelas plantações e nos informaram que eram vendidas para uma cooperativa. Quem nos atendeu não soube informar quais eram as variedades de uvas ali plantadas, mas tenho certeza de que, no mínimo, havia Malbec.

Almoçamos em Tupungato, no restaurante La Isabel Casona de Campo, que na internet, “se presenta como una propuesta gastronómica que busca distanciarse de los circuitos urbanos convencionales, ofreciendo una experiencia inmersa en un entorno rural en La Costa, Tupungato. Su propio nombre evoca una imagen clara: no es simplemente un lugar para comer, sino una invitación a pasar el día en una antigua casona, donde el tiempo parece transcurrir a un ritmo diferente. Este concepto de restaurante de campo es su principal carta de presentación y, a juzgar por las opiniones de sus visitantes, su mayor acierto”. E foi exatamente isso que presenciamos: um restaurante aconchegante, com ambiente familiar, atendimento diferenciado e pratos muito bem preparados. O interessante foi que não encontramos turistas no local, o que nos deu a impressão de que os moradores frequentam o estabelecimento, possivelmente por estar fora do circuito mais tradicional dos vinhedos da região.

Por indicação de um amigo, fomos visitar a La Azul Bodega Resto, localizada na Ruta Provincial 89, uma estrada que reúne diversas vinícolas. Percorrê-la de carro é fantástico, pois há vinícolas em ambos os lados da estrada. Diferentemente do restaurante La Isabel, na La Azul o amplo salão estava tomado por brasileiros, todos bastante felizes em um ambiente de confraternização. Havia diversas vans estacionadas, o que indica que se trata de uma vinícola incluída nos roteiros das empresas de turismo — e não é à toa: o local é muito agradável, e a vista da Cordilheira dos Andes torna tudo ainda mais especial. Uma pena as mesas não serem distribuídas pelos jardins da vinícola para tornar a experiência ainda mais agradável, já que o almoço acontece em um espaço fechado que, apesar de amplo, fica mais agitado com a grande quantidade de turistas. Ainda assim, a visita vale muito a pena.

Almoçamos também no DUX Fuegos — este, sim, recomendamos como imperdível! Fica localizado nas instalações da Casa Septem, um luxuoso hotel na região do Vale do Uco. Trata-se de uma área ampla, que abriga, além do hotel com todas as suas instalações, um lindo lago. O restaurante, situado em uma construção independente, está cercado por uma bela plantação de uvas que, como em outros casos, são vendidas para outros produtores. Foi uma tarde muito agradável, pois, após o almoço, pudemos circular livremente pelas instalações do hotel. Sem falar que os pratos foram muito bem confeccionados e servidos.

Como dissemos anteriormente, na Ruta Provincial 89 existem diversas vinícolas, entre elas Domaine Bousquet, Rutini, Andeluna, La Azul (já citada), Casa Petrini e Salentein. Por isso, sugerimos dividir a hospedagem entre a Ciudad de Mendoza e o Vale do Uco, para aproveitar melhor o que as regiões vinícolas têm a oferecer e evitar longos deslocamentos.

A visita à vinícola Domaine Bousquet foi bastante interessante. Além de seguir o modelo de outras vinícolas, com visitas guiadas e a possibilidade de desfrutar de almoço, está localizada em uma belíssima área do Vale do Uco, tendo como pano de fundo a Cordilheira dos Andes. O grande diferencial é ser considerada uma das principais produtoras e exportadoras de vinhos orgânicos da Argentina. Foi fundada em 1997 por uma família francesa, os Bousquet, que possuem tradição na produção de vinhos.

Para finalizarmos com chave de ouro a experiência no Vale do Uco, agendamos um almoço na Casa de Uco Vineyards & Wine Resort. Já na chegada, a bela entrada indicava que a experiência seria excelente. Não se trata apenas de uma vinícola, mas de um hotel boutique que permite aos visitantes conhecer a produção, passear pelos vinhedos, degustar os vinhos e desfrutar do restaurante. Foi um dos melhores filés à milanesa que já experimentei na vida, acompanhado de uma vista espetacular para um lago, os vinhedos e a Cordilheira dos Andes — um cenário perfeito. Após o almoço, tivemos liberdade para caminhar tranquilamente pela propriedade e imaginar como seria se hospedar naquele lugar.

Ao finalizar essa experiência, retornamos à Ciudad de Mendoza para concluir a viagem. Os locais visitados ao longo dos dias restantes já foram apresentados anteriormente, para evitar tornar a leitura repetitiva e concentrar tudo em uma única parte do texto. A seguir, vamos descrever apenas o hotel em que nos hospedamos.
4) CIUDAD DE MENDOZA
21ABR (TER) | VALE DO UCO | CARRO 113 Km – 1h38m | CIUDAD DE MENDOZA |
OBSERVAÇÕES: 2 pernoites na Ciudad de Mendoza (21 para 22 e 22 para 23ABR) | |||
ACOMODAÇÃO: RUFINO PETIT HOTEL – fica muito bem localizado, a uma quadra do Parque General San Martín e a uma rua paralela à Rua Aristides. O hotel é pequeno, com apenas 9 suítes, mas o quarto possuía um bom tamanho, com cama de casal king, televisão e frigobar. O banheiro possuía chuveiro, sem banheira. O café da manhã foi considerado fraco para os padrões de hotel, mas oferecia o básico necessário.O hotel possui um estacionamento pequeno, nas próprias instalações, descoberto, mas seguro, incluído na diária. Recomenda-se reservar com antecedência para garantir vaga, já que há apenas quatro disponíveis. | |||
Antes de passarmos aos comentários finais gostaríamos de escrever um pouco da nossa experiência em dirigir nas estradas de Mendoza.
5) DIRIGIR EM MENDOZA
Foi muito tranquilo dirigir em Mendoza. Alugamos um carro pela locadora Enterprise Rent-A-Car, no próprio aeroporto de Mendoza, após o desembarque. Consideramos o atendimento ótimo: não nos “empurraram” nada além do contratado. Nós é que optamos por fazer o seguro total com a locadora, a fim de evitar transtornos, já que o seguro do cartão de crédito, utilizado no pagamento, funciona por ressarcimento.
Sugerimos que também considerem essa opção, pois algumas estradas para se chegar a determinadas vinícolas — principalmente no Vale do Uco — incluem trechos sem asfalto, conforme indicado pelo GPS, e com grande quantidade de pedras. Até mesmo nas estradas asfaltadas, os acostamentos não são pavimentados. Em uma ocasião, ao sairmos da pista para acessar um ponto turístico, a diferença de altura entre o asfalto e o acostamento fez com que atingíssemos uma pedra, o que, mesmo em baixíssima velocidade, causou um pequeno dano na saia dianteira do carro. Graças à cobertura total, não tivemos nenhuma despesa; caso contrário, o custo seria de aproximadamente US$ 2.000 (franquia), além de outras taxas que poderiam ser incluídas. Ou seja, o seguro total acaba pagando pela tranquilidade diante de imprevistos. Curiosamente, a cobertura total não incluía rasgo nos pneus; nesse caso, seria necessário adquirir um novo e substituí-lo.
Rodamos um total de 923 km. As cidades possuem ruas largas e pouco trânsito; mesmo na Ciudad de Mendoza, não presenciamos engarrafamentos. Os trechos de estrada asfaltados são muito bons — a maioria dos que percorremos era de pista dupla. No entanto, não pense que, por se tratar de uma região vinícola, a polícia tolera dirigir após consumir bebida alcoólica; muito pelo contrário: há fiscalização nas estradas, com uso de bafômetro. Soube que existe uma pequena tolerância, mas nem quis me informar sobre o limite, pois considero que bebida e direção não combinam em hipótese alguma, independentemente da quantidade. Não se trata de crítica a quem age de forma diferente, mas de um princípio pessoal.
É importante destacar que a locadora Enterprise não permite que seus veículos alugados cruzem a fronteira com o Chile. Portanto, se o objetivo for fazer esse passeio, é necessário procurar outra locadora — o que não é difícil, já que há diversas opções no Aeroporto de Mendoza. Perguntei o motivo dessa restrição e nos informaram que já tiveram muitos problemas com turistas que atravessavam a fronteira, deixavam o carro no aeroporto de Santiago e simplesmente iam embora. Surpreendente, mas, segundo eles, não foram casos isolados.
Por fim, vale lembrar que, na Argentina, é obrigatório por lei dirigir com os faróis baixos acesos durante todo o tempo; o descumprimento pode resultar em multa. Além disso, em caso de acidente, o registro policial é obrigatório.
6) ALGUMAS AGÊNCIAS QUE ATENDEM PASSEIOS PELA REGIÃO
Como estávamos de carro alugado, utilizamos o serviço de agências de turismo apenas uma vez, para que ambos pudéssemos desfrutar da degustação de vinhos. Nos demais dias, o “motorista do dia” não consumia bebidas alcoólicas.
Ainda assim, deixamos aqui registrada a empresa que utilizamos, bem como algumas referências que recebemos e/ou observamos na região.
O objetivo é exclusivamente auxiliar nas pesquisas de preços e na avaliação da qualidade dos serviços durante o planejamento prévio da viagem.
A seguir, algumas opções:
Mayas Viajes y Turismo – Tivemos a oportunidade de fazer, com essa empresa, um passeio por três vinícolas e uma produtora de azeite. O serviço foi ótimo, atendeu às expectativas e entregou exatamente o que foi contratado. Sabemos que também oferecem outros passeios turísticos, como, por exemplo, o da Alta Montaña. É uma empresa que vale a pena pesquisar antes da viagem.
Suntrip Brasileiros em Mendoza (+54 9 2615 05-1451) – Não utilizamos os serviços dessa agência, mas recebemos boas referências. Pode ser útil para auxiliar no planejamento, especialmente em relação aos custos.
Brasileiros Wine Tours – “A beleza do mundo em cada taça de vinho.” Essa frase estava escrita na lateral de uma confortável van que vimos na porta do nosso hotel. Não temos informações sobre os tipos de tours oferecidos, a qualidade do atendimento ou os preços praticados. Indicamos apenas como uma opção para quem deseja fazer pesquisas prévias antes de viajar.
7) COMENTÁRIOS
A região da província de Mendoza é muito rica em belezas naturais e dispõe de uma grande quantidade de vinícolas a serem visitadas.
Como sugestão, não se limitem a visitar somente as mais famosas. Afirmamos que as vinícolas menores — familiares ou boutiques — proporcionam experiências comparáveis às mais renomadas, com preços significativamente menores e muito menos concorridas, o que permite um atendimento diferenciado, podendo chegar a ser até exclusivo, como foi o caso de algumas que visitamos.
Entretanto, se o seu interesse for conhecer vinícolas mais famosas, como Catena, Rutini, Casa Vigil (El Enemigo), Luigi Bosca e Zuccardi, faça a reserva com bastante antecedência, pois a procura é alta e os preços não são baixos. Como esse não era o nosso objetivo, preferimos conhecer vinícolas menores, que nos proporcionaram atendimentos exclusivos e experiências gastronômicas inesquecíveis.
É interessante destacar que algumas vinícolas pequenas não comercializam seus vinhos em supermercados e/ou lojas especializadas, pois, devido à produção reduzida, parte é exportada e outra parte é consumida durante os próprios eventos dessas vinícolas. Isso difere das mais famosas, cujos rótulos podem ser encontrados em diversos supermercados, lojas de vinho e até mesmo no Brasil.
Não deixe de selecionar as vinícolas que deseja visitar, inseri-las no Google Maps e verificar se, no seu caso, compensa dividir a acomodação em locais diferentes. As experiências nas vinícolas demandam certo tempo, principalmente aquelas que envolvem refeições; portanto, estimar a visita a, no máximo, três vinícolas por dia já é um desafio — embora seja possível.
Com isso, no início da tarde do dia 23 de abril, pegamos nosso voo com destino a São Paulo e finalizamos mais uma de nossas viagens.
8) CONCLUSÃO - MENDOZA A CAPITAL INTERNACIONAL DO VINHO
O principal objetivo deste resumo é registrar nossa viagem e, ao mesmo tempo, compartilhar a experiência com outras pessoas que, assim como nós, gostam de viajar, explorar pequenas cidades, ter contato com a natureza, experimentar novas gastronomias e degustar excelentes vinhos.
Ficamos à disposição de quem quiser saber mais ou aprofundar qualquer uma dessas informações por meio de nossas redes sociais: @experientesemviagens. Também estamos abertos a sugestões que possam contribuir para aprimorar ainda mais os relatos de nossas aventuras. Outras fotos e registros desta viagem estão disponíveis nos destaques da nossa conta no Instagram.
Durante a viagem, permanecemos o tempo todo no interior da província de Mendoza. Em um dos passeios, chegamos próximo à fronteira com o Chile, mas sem atravessá-la.


Boa viagem, e esperamos que esse roteiro contribua para torná-los ainda mais Experientes em Viagens!





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