top of page

VIETNÃ: de Norte a Sul

Foto do escritor: experientes em viagens
experientes em viagens
12 de set.
61 min de leitura

EXPERIENTES EM VIAGENS

 

no VIETNÃ

16JUN a 05JUL26

 

Decidimos conhecer um pouco mais o continente asiático, uma lacuna que, nesta fase da vida, tentaremos preencher, pois é uma viagem mais longas e que necessitam de mais tempo — agora dispomos de mais dias para realizá-la. Isso mesmo: tempo é sempre um fator primordial!

 

Viajar do Brasil para o Sudeste Asiático requer ao menos três dias de deslocamento. Se você parte no dia A, a chegada acontece apenas no dia A+2. Na volta, ocorre o mesmo. Na prática, cinco dias de férias são dedicados apenas ao transporte, mesmo com conexões rápidas. Some a isso o impacto do jet lag, que exigirá mais alguns dias para o seu corpo se adaptar ao novo fuso horário.

  

Escolhemos o Vietnã principalmente pela história, pela cultura, pela culinária e pelas belezas da região. Foi mais um país que decidimos fazer com o acompanhamento de uma agência de viagens, em face das peculiaridades do local. A empresa escolhida foi a Asiática Travel, que ofereceu um pacote turístico atrativo para o nosso perfil, elaborado com exclusividade para o casal e com guias em português.

 

Golden Bridge (Cầu Vàng)

Podemos assegurar que isso foi um grande diferencial, pois aprendemos muito sobre a vida dos vietnamitas, já que a convivência com os guias (foram três, a Rosa que nos guiou no norte, o Zui no centro e o Vu no sul do país) foi bastante intensa. A agência não possui escritório no Brasil; entretanto, os contatos foram realizados por meio do WhatsApp, e tudo funcionou muito bem.

 

As passagens aéreas, tanto de chegada quanto de partida do Vietnã, não estavam incluídas no pacote, mas todos os deslocamentos internos (por carro, trem, barco e avião), hospedagens, entradas de atrações e guias, estavam. Tudo isso será descrito no relato a seguir.


Então venham conosco no VIETNÃ: de Norte a Sul.

  

1)   PARTIDA E CHEGADA EM HANOI

DATA

ORIGEM

DIST/TEMP

DESTINO

16JUN (TER)

SÃO PAULO

20h 30min

AVIÃO

14h15min

DOHA

 17JUN 16h50min

OBSERVAÇÕES: conexão em Doha 3h25min

 

17JUN (QUA)

DOHA

20h 05min

AVIÃO

7h15min

HANOI (Vietnã)

18JUN 07h15min

OBSERVAÇÕES: 3 noites em Hanoi (18 para 19, 19 para 20, 20 para 21JUN)

ACOMODAÇÃO: MK PREMIER BOUTIQUE HOTEL (4 estrelas) - Hotel localizado no centro antigo de Hanói, a poucos quarteirões de um dos principais lagos da cidade, o Ho Hoân Kiên. O quarto era amplo, com Smart TV, cama king size, ar-condicionado, frigobar e banheira com chuveiro em seu interior. O hotel possuía um rooftop, onde era servido o café da manhã e, também, funcionava um serviço de bar com mesinhas, ótimo para relaxar no fim da tarde. O hotel também contava com academia de ginástica. O café da manhã era muito bom, com grande variedade de itens servidos, além de um espaço onde eram preparados omeletes e ovos ao gosto do hóspede.

 Embarcamos em Guarulhos em um voo da Qatar Airways, com conexão em Doha, e seguimos para Hanói, capital do Vietnã, onde permanecemos por três noites.

 

Hanói significa “cidade dentro do rio” (Ha = rio; Noi = dentro). Possui cerca de 10 milhões de habitantes e tornou-se a capital do Vietnã em 1010, quando a capital foi transferida de Ninh Binh. Hanói permaneceu como capital até 1802, quando a sede foi transferida para Hué, retornando a esse posto em 1945, condição que mantém até os dias de hoje. Hanói não é a maior cidade do Vietnã; essa posição pertence a Saigon, que possui cerca de 13 milhões de habitantes.

 

Ao chegarmos ao aeroporto, nossa guia turística, Rosa, já nos esperava com uma plaquinha contendo o nosso nome e um sorriso no rosto, dando-nos as boas-vindas ao Vietnã. De lá, seguimos para o hotel, onde fizemos o check-in, recebemos dela algumas informações úteis para turistas e tivemos o restante do dia livre.

 

Esse dia sem compromisso foi muito importante, pois a longa viagem, aliada à diferença de fuso horário, nos deixa confusos, tornando necessária uma adaptação. Não que isso se resolva nesse primeiro dia, mas, com certeza, ajuda muito a facilitar esse processo. Ou seja, considere incluir ao menos dois dias livres para que vocês possam se adaptar à grande diferença de horário, que, neste caso, era de dez horas a mais.

 

Nos grandes centros, não pretendemos descrever a viagem como um diário, mas sim apresentar as principais atrações turísticas que visitamos. Nas cidades menores e vilas, por outro lado, a descrição da nossa movimentação pode tornar o texto mais atraente e enriquecedor. Essa escolha se deve ao fato de termos vivido dezoito dias muito intensos de atividades. Então, vamos lá!

 

O Bairro Antigo pode ser considerado o coração turístico da cidade. São 36 ruas que receberam seus nomes de acordo com a atividade comercial à qual cada uma delas se dedicava. No passado, cada rua era especializada em um determinado tipo de produto, como artigos de bambu, cerâmica, tecidos, entre outros. Atualmente o comércio se diversificou e já não conserva a organização de antigamente. Ainda assim, é possível observar uma predominância de determinados tipos de estabelecimentos em algumas ruas, como uma rua com diversas lojas de roupas ou a famosa Beer Street, repleta de bares que, à noite, ocupam não apenas as calçadas, mas também boa parte da via com mesinhas, cadeiras e muito movimento. Perder-se por essas ruas é um passeio que vale a pena. Observe a arquitetura típica do Bairro Antigo, marcada pelas chamadas tube houses, construções estreitas na fachada e profundas. Esse formato se deve ao fato de que, no passado, os impostos eram cobrados de acordo com a largura da fachada do imóvel. Por isso, muitos proprietários optavam por construções com fachadas estreitas e interiores alongados. Outro ponto conhecido da região é o Mercado Dong Xuan, um dos mercados mais tradicionais de Hanói, onde se encontram roupas, tecidos, lembranças, alimentos e produtos variados. Um passeio durante o período noturno também é enriquecedor. Algumas ruas são fechadas ao tráfego e transformadas em grandes áreas de comércio, bares e comida de rua. Observamos que a maioria das lojas permanecem abertas até tarde da noite e até nos fins de semana. Isso porque esses estabelecimentos comerciais também funcionam como residência dos proprietários, que preferem manter o comércio aberto para tentar aumentar a renda, em vez de permanecerem em casa com as portas do comércio fechadas. Em algumas lojas em que entramos, vimos famílias jantando em seu interior enquanto o atendimento continuava normalmente.

 

Beer Street à noite

No início, descobrir que as calçadas são utilizadas principalmente para estacionar motocicletas e que, muitas vezes, é necessário caminhar pela beira da rua, o que causa estranheza para nós. Porém, ao final, você perceberá que isso faz parte da cultura local e que os motoristas respeitam os pedestres. Em momento algum nos sentimos em perigo durante nossas caminhadas, que, aliás, foram intensas.

 

calçadas de Hanói ocupada por veículos e materiais

Outra característica dos vietnamitas é ignorar as faixas de pedestres e, em alguns cruzamentos, até mesmo desrespeitar os semáforos, avançando antes que o sinal abra. A regra básica para o pedestre atravessar a rua é simples: sinalize que está atravessando a rua, levantando o braço e mantenha um ritmo constante e nunca recue. Você perceberá que os motoristas dirigem em baixa velocidade, desviam dos pedestres e permitem que todos cheguem em segurança ao outro lado da via. No início isso assusta, mas logo logo você entenderá que é assim que o trânsito funciona.

 

Chama a atenção a quantidade de motocicletas existentes em todas as cidades que visitamos no Vietnã. Estima-se que existam três motocicletas para cada dois moradores. Fomos informados de que a população de Saigon é de 13 milhões de habitantes e que a cidade possui cerca de 12 milhões de motocicletas; ou seja, não é brincadeira a quantidade.

 

imensa quantidade de motocicletas

O Lago Hoan Kiem (Lago da Espada Restaurada), localizado no Bairro Antigo, é um dos principais cartões-postais da cidade. O nome do lago está ligado a uma das lendas mais conhecidas do Vietnã. Segundo a tradição, o rei Lê Lợi teria recebido uma espada mágica para combater invasores estrangeiros e, após alcançar a vitória, devolveu a espada a uma tartaruga sagrada que surgiu das águas do lago. Por esse motivo, o local passou a ser conhecido como Lago da Espada Restaurada, ou Lago da Espada Devolvida. A presença da Torre da Tartaruga reforça ainda mais esse simbolismo e torna o lago não apenas um espaço bonito e agradável, mas também um lugar de grande significado histórico e cultural para os vietnamitas. Em seu entorno acontecem diversos eventos culturais, sociais e esportivos. É muito agradável caminhar ao redor do lago e observar o dia a dia de todos que o frequentam. É grande a quantidade de grupos de pessoas que, no início da manhã, ou ao final da tarde e nos fins de semana, se reúnem para praticar atividades físicas, como dança, tai chi chuan e diversos outros exercícios físicos. Ao longo do lago, existem diversos restaurantes, bares, cafeterias e teatro. O lago também abriga o Templo Dén Ngoc Son, ligado à margem por meio de uma linda ponte vermelha. O templo é bastante visitado. Não o visitamos, pois sabíamos que, durante toda a nossa viagem, visitaríamos uma quantidade significativa de pagodas e templos, o que não justificava pagar ingresso para visitar esse especificamente. Uma pequena ilhota, Tháp Rùa (Torre da Tartaruga), abriga uma antiga torre que torna o lago ainda mais atraente. O Lago Hoan Kiem é um dos lagos que se interliga ao Rio Vermelho, o rio mais importante de Hanói.

 

Mas não pensem que existe somente esse lago em Hanói! Não apenas em Hanói, mas em todo o Vietnã, há diversos lagos e rios que tornam o país uma região muito fértil, e foi exatamente isso que vimos durante toda a nossa viagem: muitas plantações, predominantemente arrozais, e muito verde. Hô Tay (Lago Oeste) é outro importante lago de Hanói, bem maior que o Hoan Kiem e interligado ao Rio Vermelho. Em seu entorno, observamos diversos hotéis importantes e famosas redes hoteleiras, como InterContinental, Sheraton, entre outras. Além dos hotéis, a região do Lago Oeste também se destaca por um ambiente mais residencial, arborizado e tranquilo, bastante procurado para caminhadas, passeios de bicicleta, cafés, restaurantes e para apreciar o pôr do sol. Em seu entorno há atrações conhecidas, como a Pagoda Tran Quoc e o Templo Quan Thanh, pelos quais apenas passamos, sem visitá-los internamente. Pareceu-nos ser uma área mais nova, embora bem mais afastada do Bairro Antigo, que concentra todo o charme da região. De onde estávamos até chegar ao Lago Oeste foram 45 minutos de caminhada.

 

Hô Tay (Lago Oeste)

O Templo da Literatura é de grande importância religiosa e histórica para o Vietnã. É formado basicamente por cinco espaços: dois jardins, o Parque das Tartarugas, um espaço dedicado ao Templo de Confúcio e outro dedicado à primeira universidade do Vietnã. Ao entrar no templo, em um de seus jardins, observamos a imagem de quatro animais sagrados para os vietnamitas: o dragão, a fênix, o unicórnio e a tartaruga, cada qual com características importantes para a formação da crença pessoal e, por que não dizer, da personalidade do povo vietnamita. O Parque das Tartarugas abriga 82 esculturas de tartarugas, 41 em cada lado. Sobre elas, em lápides, estão os nomes dos 1.004 melhores estudantes da universidade, que posteriormente se tornaram funcionários do imperador. O ingresso para esse espaço é feito por um portal que é o símbolo de Hanói. Sua importância também está destacada no verso das notas de 100.000 dongs vietnamitas, a moeda local. O Templo de Confúcio possui grande valor religioso, pois para lá se dirigem diversos devotos para pedir ou agradecer graças alcançadas nos estudos, uma vez que Confúcio é considerado o Deus da Sabedoria. Por último, e não menos importante, há o espaço que abriga a primeira universidade do Vietnã, inaugurada no ano de 1070. Nos dias de hoje, o local não funciona mais como universidade, mas abriga um templo com a imagem do primeiro reitor, no piso térreo, e, no piso superior, as imagens de dois imperadores responsáveis pela criação do templo e da universidade, ambos da dinastia Lý. Além de sua importância histórica e religiosa, o Templo da Literatura é um espaço muito agradável para caminhar com calma, observar seus pátios, jardins, portais e construções tradicionais, e sentir uma atmosfera mais silenciosa e contemplativa em meio ao movimento de Hanói. Também chama a atenção a relação que o local ainda mantém com os estudos pois muitos estudantes vietnamitas visitam o templo para pedir bons resultados ou agradecer conquistas acadêmicas ou fazer fotos de formatura, reforçando a ligação entre o passado da primeira universidade do país e a vida atual da cidade. Durante a nossa visita, duas estudantes pediram para tirar fotografias conosco e nos deram, como lembrança, duas miniaturas dos tradicionais chapéus vietnamitas.


Confúcio - Templo da Literatura

Já que estamos falando de religião, vale fazer algumas observações importantes: O Vietnã é um país laico, ou seja, sem uma religião predominante. Estima-se que cerca de 80% da população seja formada por ateus; entretanto, os vietnamitas respeitam a religião dos outros e acreditam em “crenças pessoais”. O Vietnã abriga várias pagodas e templos. As pagodas são dedicadas ao budismo, e os templos, a diferentes deuses que fazem parte dessas “crenças pessoais”. Estamos muito acostumados a nos referir a “templos budistas”, mas essa expressão não é válida para o Vietnã, embora seja usada em diversas outras partes do mundo. No Vietnã, quando se quer fazer referência ao budismo, o correto é dizer pagoda. Onde existe uma imagem de Buda, ali é uma pagoda. Além disso, existem bandeiras que identificam pagodas e templos, facilitando o seu reconhecimento, uma vez que a arquitetura externa de pagodas e templos é diferente entre si. Também nos chamou a atenção a forte presença do culto aos antepassados, muito comum na vida cotidiana dos vietnamitas. Em muitas casas, lojas e estabelecimentos comerciais, é possível observar pequenos altares com oferendas, incensos e fotografias de familiares falecidos. Essa prática convive com influências do budismo, do confucionismo e do taoismo, formando uma religiosidade bem particular, mais ligada às tradições familiares, ao respeito aos ancestrais e às crenças pessoais do que a uma religião única e formal. Mais à frente, pretendemos citar alguns aspectos culturais que aprendemos durante a nossa permanência no Vietnã.

 

O Museu de Etnologia é outra visita que permitiu conhecer melhor a formação desse país e de seu povo. O Vietnã abriga 54 etnias diferentes, sendo que 85,3% da população pertence à etnia Viet. O próprio nome do país destaca essa predominância: Vietnã (Viet = etnia; Nam = sul). A referência ao “sul” está relacionada à China, que, no passado, exerceu grande influência sobre o país. O museu abriga grande quantidade de artefatos que mostram a evolução histórica do Vietnã, suas tradições e seus costumes. Um dos grandes diferenciais da visita é sua área externa, que funciona como um museu a céu aberto, com diversas habitações tradicionais utilizadas por diferentes etnias em várias regiões do país, em seu tamanho real. Essa parte ajuda a compreender como vivem determinados grupos em regiões montanhosas ou rurais. As outras 53 etnias, com exceção da Viet, vivem predominantemente nas regiões montanhosas e fronteiriças com o Laos e o Camboja. Elas possuem línguas, hábitos, roupas, festas, crenças e formas de organização social próprias, revelando uma diversidade cultural muito rica. É interessante notar que os vietnamitas não conseguem entender a língua das demais etnias. Para se comunicarem, utilizam o vietnamita, que é a língua oficial do país. Em uma comparação distante, seria algo semelhante aos nossos povos indígenas que habitam regiões da Floresta Amazônica, afastadas dos grandes centros urbanos.

 

A Train Street é outra rua pitoresca que merece ser visitada, seja durante o dia ou à noite. Trata-se de uma rua estreita, cortada por uma linha férrea ativa e repleta de estabelecimentos comerciais, principalmente restaurantes e bares, onde os turistas se acomodam ao longo dos trilhos para aguardar a passagem do trem, tirar belas fotografias e vivenciar de perto a sensação curiosa de ver a composição passar a poucos centímetros do seu rosto enquanto está sentado em uma cadeira dos diversos bares que ladeiam esse trilho. Atualmente, porém, a visita exige cuidados e orientações: o acesso pode ser controlado por questões de segurança, e o ideal é sempre seguir as ordens dos funcionários dos bares que saberão lhe posicionar antes da passagem do trem, mas é importante confirmar os horários aproximados que o trem passará, que podem variar, assim poderá chegar com antecedência ao local e procurar um lugar para se acomodar, pois o local fica muito cheio minutos antes da vinda do trem. O que constatamos é que esses restaurantes e bares cobram quase o dobro do preço praticado em estabelecimentos fora daquela região, basicamente para permitir que os turistas se sentem à beira da linha férrea. Após a passagem do trem, esses locais praticamente se esvaziam e só voltam a receber maior movimento próximo ao horário da próxima composição. É uma experiência turística bastante peculiar, pois reúne, em poucos metros, o cotidiano dos moradores, o comércio voltado aos visitantes e uma das cenas mais fotografadas de Hanói.

 

Train Street 

A visita ao Mausoléu de Ho Chi Minh é, para quem gosta de história, uma das mais imperdíveis de Hanói. Ho Chi Minh é considerado o Pai do Vietnã e, durante muitos anos, empenhou-se em ver seu país livre de invasores estrangeiros. Embora não tenha conseguido ver esse sonho plenamente realizado em vida, foi, sem dúvida, o grande símbolo e um dos principais articuladores dessa luta. O mausoléu foi construído, em 1973, em sua homenagem, como forma de manter seu legado “vivo” na cultura e na memória do povo vietnamita. Visitar seu interior não é nada simples: em um fim de semana, caminhamos por cerca de 1h30 em uma fila até conseguirmos entrar. A organização é muito boa, mas ficam aqui duas dicas importantes: chegue cedo e evite levar bolsas, pois, caso esteja com elas, será necessário deixá-las em um local reservado. Outro ponto importante é que a visita depende um pouco da sorte, já que a entrada pode ser interrompida a qualquer momento, sem aviso prévio, ou sofrer atrasos em razão de visitas diplomáticas ou protocolares, que são relativamente comuns. Observei que a maioria absoluta das pessoas na fila era formada por vietnamitas vindos de outras partes do país para prestar homenagens a Ho Chi Minh. Muitas famílias, inclusive com crianças, também estavam presentes. Estima-se que em um dia no final de semana cerca de 10.000 pessoas visitem o Mausoléu. Outra dica interessante é que, após passar pelo sistema de segurança da entrada, com raio X, procure pegar a fila da esquerda, pois ela passa mais próxima ao caixão de Ho Chi Minh. O Mausoléu de Ho Chi Minh se assemelha bastante ao de Lenin, na Praça Vermelha, em Moscou. Inclusive, foram técnicos soviéticos que auxiliaram no processo de preparação e conservação do corpo para mantê-lo em exposição permanente. Anualmente, normalmente entre junho e agosto, o mausoléu costuma fechar por algumas semanas para os trabalhos de manutenção necessários à preservação do corpo, período que pode variar de acordo com o calendário oficial.


Mausoléu de Ho Chi Minh

 

Duas frases se destacam em cada um dos lados do Mausoléu que dizem:

- Nước Cộng hòa xã hội chủ nghĩa Việt Nam muôn năm (Viva a República Socialista do Vietnã! Ou a República Socialista do Vietnã é para sempre); e

- Chủ tịch Hồ Chí Minh vĩ đại sống mãi trong sự  nghiệp của chúng ta (O grande presidente Ho Chi Minh vive para sempre nos corações dos vietnamitas)

 

Mesmo que você não tenha interesse em visitar o interior do Mausoléu, a área externa já vale muito a pena. Toda aquela região integra o chamado Complexo Ho Chi Minh, na Praça Ba Dinh, local de enorme importância histórica, pois foi ali que Ho Chi Minh proclamou a Declaração de Independência do Vietnã, em 2 de setembro de 1945. Nas proximidades ficam o Palácio Presidencial, a Assembleia Nacional, os jardins do complexo, o Memorial dos Heróis e Mártires e o Mastro da Bandeira do Vietnã (local onde Ho Chi Minh declarou a independência do Vietnã). Se possível, vale tentar assistir à cerimônia de hasteamento ou arriamento da bandeira, que acrescenta um caráter ainda mais solene à visita.

 

Também nas imediações do Mausoléu está a Pagoda do Pilar Único, ponto turístico muito visitado por sua arquitetura curiosa e simbólica. Trata-se de uma pagoda pequena, sustentada por um único pilar sobre um espelho d’água, concebida para lembrar uma flor de lótus, símbolo de pureza no budismo. Isso se deve ao fato da flor de lótus nascer e florir em um ambiente lamoso. Em seu interior há uma imagem feminina de Buda, bastante reverenciada pelos visitantes. Além dela, a região abriga a Casa sobre Palafitas de Ho Chi Minh, onde ele viveu de forma simples por muitos anos, e o Museu Ho Chi Minh, que reúne documentos, fotografias e objetos relacionados à sua trajetória e à história moderna do Vietnã. Por falta de tempo não conseguimos visitar esse Museu. Para quem deseja compreender melhor a importância política e simbólica de Ho Chi Minh para o país, esses espaços complementam muito bem a visita ao Mausoléu.

 

Pagoda do Pilar Único

Já que falamos de Ho Chi Minh, julgamos ser este um momento interessante para conversarmos um pouco sobre o sistema e a forma de governo do Vietnã. Oficialmente, o país é chamado de República Socialista do Vietnã e adota um sistema político de partido único, sob a liderança do Partido Comunista do Vietnã. A língua oficial do país é o vietnamita, idioma utilizado na administração pública, no sistema educacional e na comunicação cotidiana da maior parte da população, digo maior parte pois muitas etnias possuem dialetos próprios que diferem do vietnamita, como citado anteriormente. A estrutura do Estado é organizada em torno da Assembleia Nacional, considerada o órgão máximo do poder estatal, responsável pela elaboração das leis e pela escolha de importantes autoridades do país. Trata-se de um parlamento unicameral, composto por 500 deputados, eleitos para mandatos de cinco anos. A eleição dos deputados ocorre de forma direta pelos cidadãos vietnamitas. Irá competir a esses deputados elegerem o Presidente, o Primeiro-Ministro e o Secretário-Geral do Partido Comunista. O Presidente exerce a função de chefe de Estado, enquanto o Primeiro-Ministro chefia o governo e conduz a administração cotidiana, com o apoio de ministros e demais órgãos governamentais. Na prática, porém, a figura política mais influente costuma ser o Secretário-Geral do Partido Comunista, uma vez que o partido exerce papel central na orientação política, econômica e social do país. Para nós, turistas, esse sistema fica perceptível em diversos símbolos espalhados pelas cidades, nas bandeiras vermelhas com a estrela amarela, nos monumentos, nos cartazes oficiais e, especialmente, no enorme respeito dedicado à memória de Ho Chi Minh, cuja imagem continua muito presente na identidade nacional vietnamita.

 

Por que não aproveitar o momento para falarmos a respeito da economia, que está intimamente ligada a política? A economia vietnamita passou, ao longo das últimas décadas, por um profundo processo de transformação. Após a reunificação do país, o Vietnã adotou uma economia centralizada, planejada pelo Estado e bastante fechada ao mercado externo, modelo comum em países comunistas. Nesse período, a produção era fortemente controlada, havia sistema de racionamento e muitos trabalhadores recebiam autorização para retirar determinados produtos, como alimentos, por meio de cupons ou tíquetes, de acordo com critérios definidos pelo governo, entre eles o tamanho da família. Aos poucos, esse modelo começou a mostrar sinais de esgotamento, com dificuldades de abastecimento, baixa produtividade, limitações ao desenvolvimento econômico, existência de mercado paralelo e desestímulo à produtividade, já que muitos trabalhadores recebiam a mesma remuneração, independentemente do esforço despendido. Esse contexto contribuiu para a grande mudança iniciada em 1986, com as reformas conhecidas como Đổi Mới, expressão que pode ser traduzida como “renovação”. A partir daí, o país iniciou uma transição para uma economia de mercado com orientação socialista: os trabalhadores passaram a ser assalariados, a iniciativa privada ganhou maior espaço, o investimento estrangeiro foi incentivado, as exportações foram ampliadas e o Vietnã passou a se integrar de forma mais intensa ao comércio internacional. Outro marco importante foi a normalização das relações com os Estados Unidos na década de 1990, após o fim do embargo econômico, o que contribuiu para ampliar a entrada de empresas, produtos e marcas estrangeiras no mercado vietnamita. Se antes predominavam produtos associados ao antigo bloco socialista, especialmente russos e chineses, hoje é possível observar nas cidades uma grande pluralidade de marcas reconhecidas internacionalmente, convivendo com empresas locais e com o comércio tradicional. Em 2007, o Vietnã passou a integrar a Organização Mundial do Comércio (OMC), consolidando ainda mais sua inserção na economia global. É interessante destacar que grandes multinacionais passaram a instalar unidades produtivas no país, como a Samsung, empresa sul-coreana que possui importantes complexos industriais no Vietnã. Para nós turistas, essa transformação é perceptível nas ruas, nos centros comerciais, nos restaurantes, nos hotéis, no movimento dos portos e no dinamismo das grandes cidades, que revelam um país ainda marcado por sua história socialista, mas cada vez mais conectado ao mercado internacional. Observamos que os portos vietnamitas são bastante movimentados e se distribuem por diferentes regiões do país, com destaque para áreas próximas a Hanói, Da Nang e Saigon, reforçando a importância logística do Vietnã no comércio internacional.

 

No quesito espetáculo turístico, assistir à apresentação de marionetes aquáticas no Thang Long Water Puppet Theatre é uma atração interessantíssima e diferente de tudo aquilo a que estamos acostumados. O que mais chama a atenção é que toda a apresentação acontece em um palco “molhado” — isso mesmo, em uma espécie de piscina. Essa arte tradicional vietnamita, conhecida como múa rối nước, surgiu há muitos séculos na região do Delta do Rio Vermelho, quando os campos alagados e os lagos das aldeias eram utilizados como palco para encenações populares. Em cada lado do palco, ficam os músicos e cantores, que executam a trilha sonora ao vivo, narram as cenas e interagem com as marionetes durante todo o espetáculo. A apresentação é baseada em lendas, episódios históricos, cenas do cotidiano rural, festas populares, animais simbólicos e tradições do povo vietnamita. O show dura aproximadamente uma hora e, ao final, os artistas responsáveis por movimentar as marionetes aparecem atrás do cenário para receber os aplausos da plateia. O Thang Long Water Puppet Theatre, localizado próximo ao Lago Hoan Kiem, é uma das casas mais tradicionais desse tipo de apresentação em Hanói e já levou essa arte para diversos países, ajudando a divulgar internacionalmente a cultura vietnamita. É uma pena não haver tradução simultânea para o inglês em algum letreiro no palco, o que nos permitiria acompanhar melhor o enredo que se desenvolve. Mesmo sem entender o idioma, porém, o espetáculo compensa pela beleza da coreografia das marionetes sobre a água, pela música ao vivo, pelos efeitos visuais e pela variedade de bonecos que representam aspectos da história, das crenças e do modo de vida dos vietnamitas ao longo dos anos.

 

Thang Long Water Puppet Theatre

O legado do período em que o Vietnã foi colônia francesa ainda se faz presente em diferentes partes do país, e em Hanói não poderia ser diferente, um exemplo marcante é a Catedral de São José. Construída no fim do século XIX, em estilo neogótico, sua arquitetura lembra a Notre-Dame de Paris, especialmente pela fachada com duas torres, arcos ogivais e aparência sóbria. Durante nossa visita, surpreendeu-nos a quantidade de católicos participando da missa dominical. Estávamos preocupados, pois os horários dos tours poderiam coincidir com as celebrações, mas fomos positivamente surpreendidos ao perceber que as missas começavam muito cedo pela manhã; em Hanói, havia missa às 5h30. Outra construção que remete claramente à influência francesa é a Ópera de Hanói, concluída no início do século XX e inspirada na arquitetura dos grandes teatros europeus, com traços elegantes e imponentes. Soma-se a isso o chamado Bairro Francês, conhecido assim até os dias de hoje por ter sido a região onde muitos franceses viviam durante o período colonial. Suas avenidas mais largas, edifícios administrativos, hotéis históricos e construções de inspiração europeia contrastam com o movimento intenso e as ruas estreitas do Bairro Antigo, tornando essa parte da cidade especialmente interessante para caminhar e observar as marcas deixadas pela presença francesa no Vietnã.

 

A Maison Centrale, mais conhecida como Prisão de Hoa Lo (Hoa Lo Prison), é outro ponto turístico que merece ser visitado por aqueles que gostam de história. Trata-se de um presídio construído pelos franceses em 1896, na região da antiga Vila de Phu Khanh, durante o período da ocupação colonial, com o objetivo de encarcerar principalmente presos políticos vietnamitas que se opunham ao domínio francês. Com uma área total de 12.908 m², era considerada uma das maiores prisões da Indochina naquela época. O espaço mostra como os presos eram encarcerados, apresenta celas coletivas e áreas de isolamento e expõe uma guilhotina trazida pelos franceses, utilizada na execução de prisioneiros vietnamitas entre as décadas de 1930 e 1932. A área total do presídio foi reduzida, pois uma grande parte do terreno foi destinada à construção de prédios comerciais. Ainda assim, preservaram as áreas mais importantes, mantendo-se o caráter histórico do local. A prisão também foi utilizada durante a Guerra do Vietnã, quando norte-americanos capturados em combate, sobretudo pilotos abatidos, foram mantidos no local. O presídio ficou ainda mais famoso porque ali permaneceu, por cerca de cinco anos e meio, o piloto de combate John Sidney McCain, cuja aeronave foi abatida em 26 de outubro de 1967. Gravemente ferido, ele caiu de paraquedas no Lago Truc Bach, em Hanói, de onde foi retirado por moradores locais antes de ser levado para atendimento médico e, posteriormente, para a prisão. Em 27 de janeiro de 1973, em decorrência dos Acordos de Paz de Paris, John McCain e diversos outros prisioneiros de guerra foram repatriados aos Estados Unidos. Ironicamente, os prisioneiros norte-americanos apelidaram o local de “Hanoi Hilton”, expressão que contrastava com a dureza do encarceramento. Anos depois, em 1996, John McCain reencontrou um dos vietnamitas que participou de seu resgate no Lago Truc Bach. Em 31 de maio de 2017, já como senador dos Estados Unidos, ele voltou a visitar a Prisão de Hoa Lo, em Hanói, gesto que também simbolizou a aproximação entre vietnamitas e norte-americanos após décadas de conflito. Todas essas passagens estão documentadas em fotos no presídio. Reserve, ao menos, duas horas para realizar essa visita.

 

Outro museu interessante é o Museu de História Militar do Vietnã (Vietnam Military History Museum). Trata-se de um dos principais museus nacionais do país e reúne um amplo acervo relacionado às guerras e aos conflitos que marcaram a formação do Vietnã, incluindo carros de combate, aeronaves, armamentos, documentos, fotografias e outros objetos históricos. O museu está localizado na região de Nam Tu Liem, mais afastada do centro antigo. Infelizmente, quando fomos até lá, o museu estava fechado, nos impedindo de conhecer seu interior. Ainda assim, pela dimensão do espaço e pela importância do acervo, parece ser uma visita bem interessante para quem deseja compreender mais detalhadamente a história militar vietnamita e os diferentes períodos de resistência do país contra invasões estrangeiras.

  

De Hanói seguimos de carro para Ninh Binh.

 

2)   NINH BINH

21JUN

HANOI

         CARRO

90 km (1h 30min)

NINH BINH

OBSERVAÇÕES:  1 noite em Ninh Binh (21 para 22JUN)

ACOMODAÇÃO: NINH BINH HIDDEN CHARM (4 estrelas) - Deluxe – 9, Tam Coc – Bich Dong Tourist Center, Ninh Tang, Hoa Lu, Ninh Binh +84 229 3 888 555. Excelente hotel. O quarto era bem grande com cama king size, TV com uma variedade grande de canais, frigobar, ar-condicionado, banheira com o chuveiro no seu interior. O hotel oferecia uma linda piscina, academia de ginástica e spa. O café da manhã foi excelente, com grande variedade de itens e uma área para confecção de omeletes/ovos para os hóspedes. Hotel com linda vista da região. Próximo ao hotel diversos restaurantes e hotéis.


Após o café da manhã, saímos em direção a Ninh Binh, mais uma cidade muito famosa por suas atrações turísticas.

 

No caminho, visitamos os templos dos reis Dinh e Le, localizados em Hoa Lu, antiga capital do Dai Co Viet, considerado o primeiro Estado feudal centralizado do Vietnã. A cidade exerceu a função de capital por 42 anos, entre 968 e 1010, durante as dinastias Dinh e Le, até que a sede do poder foi transferida para Thang Long, atual Hanói. A região é muito bonita e se destaca pela grande quantidade de formações calcárias e pelas plantações de arroz que víamos pelo caminho. Logo na entrada dos templos, um lindo mural apresenta, em forma de desenhos, parte do desenvolvimento histórico do Vietnã, desde o ano de 968 até 2026. Além dos destaques arquitetônicos das imagens dos imperadores e dos belos jardins, a história que envolve esses dois governantes é bastante interessante. Após a morte do imperador Dinh Tien Hoang, seu herdeiro ainda era uma criança e, por isso, não tinha idade nem condições de governar. Diante desse cenário, a imperatriz Duong Van Nga apoiou o general Le Hoan, que assumiu a condução do reino em um momento de instabilidade e, posteriormente, tornou-se imperador, dando início à dinastia Le. Posteriormente, ela veio a se casar com Le Hoan. É interessante destacar que, no templo dedicado a Le, a imagem de sua esposa está posicionada ao seu lado esquerdo, mas com o rosto voltado para o templo de Dinh, detalhe que, segundo nossa guia, simbolizaria sua ligação com os dois imperadores.


templos dos reis Dinh e Le

Nossa próxima parada foi na Bich Dong Pagoda and Cave, localizada na região de Ninh Hai, próxima a Tam Coc, em Ninh Binh. A atração integra a paisagem do Complexo Paisagístico de Trang An, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Trata-se de mais um lindo conjunto de pagodas, distribuídas em diferentes níveis na encosta de uma montanha calcária. Ao todo, são três pagodas — Ha Pagoda, Trung Pagoda e Thuong Pagoda — alcançadas por uma caminhada em aclive, com alguns degraus a serem vencidos. A Trung Pagoda chama a atenção por estar parcialmente inserida na montanha, quase posicionada em uma fenda abaixo da rocha. Em seguida, atravessamos uma caverna, que serve de passagem para chegar à última pagoda, de onde se tem também um belo visual da parte inferior do terreno, com suas plantações de arroz. E como em toda caverna que se preza, havia uma grande quantidade de morcegos no teto, nos deixando não muito confortáveis com a sua presença.

 

De lá, seguimos para Tam Coc, também conhecida como a “Baía de Ha Long Terrestre”. A comparação se deve às formações calcárias que se erguem em meio aos campos de arroz, destacando uma paisagem que lembra a famosa baía, mas em ambiente rural e cortada pelo Rio Ngo Dong. Ainda assim, a designação não traduz completamente a beleza do lugar, pois o rio, os arrozais e as montanhas tornam o cenário tão interessante quanto o da própria Baía de Ha Long, apenas com uma atmosfera diferente. O passeio de barco, feito em pequenas sampanas, dura em torno de 1h30 a 2h e atravessa três cavernas naturais — Hang Ca, Hang Hai e Hang Ba. Para nós, foi uma atração surreal, especialmente pela habilidade dos barqueiros, que remam com os pés. Muitos desses remadores são moradores locais, alguns já idosos, que também trabalham na agricultura e se dedicam a conduzir os visitantes nas horas disponíveis. São muitos barcos, e, pela informação que recebemos, cada barqueiro faz apenas um passeio por dia. Mas também pudera: remar com os pés por quase duas horas não é um esforço leve. A habilidade com que conduzem a embarcação impressiona, pois os remos, além de impulsionarem o barco, também determinam sua direção, exigindo grande coordenação e sincronismo. Sem dúvida, é um dos passeios imperdíveis para quem visita o Vietnã.

 

Tam Coc - “Baía de Ha Long Terrestre”

No fim da tarde, seguimos para Hang Mua, o último passeio do dia e, sem dúvida, o mais desafiador — talvez para compensar o “trabalho” que tínhamos dado ao barqueiro em Tam Coc! O ponto alto da visita é a subida de aproximadamente 500 degraus de pedra, muitos deles irregulares, com alturas e larguras diferentes, o que torna o percurso bastante exigente. Para quem consegue chegar ao topo, porém, a recompensa é um visual impressionante. De lá, avistam-se o Rio Ngo Dong, por onde havíamos navegado pouco antes, os campos de arroz e as montanhas calcárias, formando uma paisagem inesquecível que compensa plenamente o esforço. Ainda assim, se o seu ritmo não permitir a subida, vale visitar Hang Mua. Na parte inferior, logo após o portão de entrada, há uma ampla e bonita área alagada, com plantações de flores de lótus, que torna o passeio mais tranquilo e contemplativo. Passarelas de madeira permitem caminhar pelo lago e apreciar de perto a beleza dessa flor. Como já mencionamos, a flor de lótus tem um significado especial para os vietnamitas: por nascer em terreno lamacento e, ainda assim, florescer limpa, bela e perfumada, representa pureza, resiliência e elevação espiritual. Além de estar presente em diversas pagodas e templos, vimos muitas imagens de Buda sentado sobre essa flor. A lótus também aparece como símbolo marcante da identidade visual da companhia aérea estatal Vietnam Airlines, por meio da “lótus dourada”. Em Saigon, a Bitexco Financial Tower também foi inspirada na forma de um botão de lótus, reforçando a importância simbólica dessa flor na cultura vietnamita.

 

Hang Mua

plantações de flores de lótus

Antes de seguirmos para Hanói, visitamos o Complexo Bai Dinh, localizado na região do Complexo Paisagístico de Trang An. É difícil descrever a beleza, a importância e a imensidão desse conjunto de pagodas, considerado um dos maiores complexos budistas do Vietnã. Trata-se de uma área muito visitada tanto por turistas quanto pelos próprios vietnamitas, especialmente por seu valor religioso, cultural e arquitetônico. O deslocamento interno pode ser feito a pé ou em carrinhos elétricos; recomendamos o uso dos carrinhos, não apenas pelas dimensões do espaço, mas também pela quantidade de “atrações” a serem visitadas, o que ajuda a otimizar melhor o tempo. Dois enormes corredores acompanham parte do perímetro do complexo e abrigam cerca de 500 esculturas de Arhats, discípulos iluminados de Buda, cada uma com expressão e postura próprias. De acordo com as informações que recebemos, essas figuras não seguem um modelo único: cada uma foi concebida com traços, expressões e posturas próprias, o que lhes confere um caráter bastante singular e interpretativo. Nas paredes laterais desses corredores, há inúmeros nichos com pequenas imagens de Buda, muitas delas fruto de doações de devotos, todas seguindo padrões determinados de tamanho, forma e cor. A grande maioria das estátuas dos discípulos — se não todas — apresentam nítidos desgastes de coloração em suas partes como: joelhos, mãos ou barriga, em razão do toque constante dos fiéis. Ou seja: não são poucos os devotos que passam por ali! O complexo também abriga uma impressionante estátua de Buda em bronze banhado a ouro, com 10 metros de altura e 90 toneladas de peso. Há ainda imagens de Buda em diferentes representações e significados, como o Buda do passado, do presente e do futuro, além de outras figuras associadas ao imaginário budista. A Bai Dinh Pagoda, a torre do sino, os grandes salões cerimoniais e a stupa de 13 andares estão entre as atrações que não devem ficar de fora da visita. Completamos o passeio com um escalda-pés onde foi adicionado gengibre, de temperatura quente, agradável e relaxante, acompanhado de um chá também de gengibre, exatamente o que precisávamos depois de tanta caminhada, mesmo realizando parte dos deslocamentos entre as pagodas de carrinho elétrico, aliás vale ressaltar que esta disponibilidade está disponível apenas para aqueles que compraram o passeio utilizando todo o percurso com o referido carrinho elétrico.

 

Complexo Bai Dinh

O regresso a Hanoi foi curto, somente um descanso para embarcamos em um trem com destino a Lao Cai e de lá de carro para Sa Pa.

 

3)   SA PA

22JUN

NINH BINH

         CARRO

107 km (1h 50min)

HANOI

22JUN

HANOI

           TREM

260 km (6h)

LAO CAI

23JUN

LAO CAI

          CARRO

66 km (1h 30min)

SAPA

OBSERVAÇÕES:  De Ninh Binh, retornamos de carro para Hanói, onde permanecemos por algumas horas antes de embarcar no trem noturno para Lao Cai. De lá, seguimos para Sa Pa, onde ficamos por 3 noites (23 para 24, 24 para 25 e 25 para 26JUN).

ACOMODAÇÕES:

- MANGO HOTEL HANOI (2 estrelas) – Day Use Room – 118 Le Duan – Dong Da – Hanoi – +84 24 3 942 3704. Permanecemos apenas três horas nesse hotel, após o retorno de Ninh Binh, para aguardar o embarque no trem que nos levaria até a cidade próxima de Sa Pa. Para a finalidade a que se destinava, o hotel foi adequado, pois nos permitiu tomar banho e relaxar um pouco. No entanto, para hospedagem, pareceu-nos uma opção ruim: o quarto era muito pequeno, com cama queen size, e o banheiro era minúsculo, com o chuveiro ao lado do sanitário e pouquíssimo espaço. Ou seja, ao tomar banho, molhava-se todo o sanitário. Ao lado do hotel, mas fazendo parte de suas instalações, havia um restaurante com o mesmo nome, Mango Restaurant, que foi útil para jantarmos antes do embarque no trem. Outro aspecto importante é sua localização ao lado da Estação de Trem.


 - TREM NOTURNO PARA SAPA (New Livitrans Ha Noi–Lao Cai – Deluxe VIP – 115 Lê Duân – Hoàn Kiêm – Hanói – 043.9429919). Fomos acomodados em uma cabine privativa, que possuía dois beliches. Como éramos apenas um casal, as duas camas superiores estavam rebatidas, o que permitia maior espaço interno. Havia uma mesinha com uma cestinha contendo duas garrafas de água, dois lenços higiênicos, dois saquinhos de batatas fritas, dois saquinhos de amendoim, duas embalagens de biscoito maria e duas maçãs, tudo incluído no preço da passagem. Os sanitários ficavam localizados nas extremidades do vagão — ou seja, eram dois sanitários. Em uma das extremidades, além do sanitário, havia uma pia posicionada do lado externo. O trem não oferecia chuveiro. A experiência foi bastante interessante: passamos uma noite em uma cabine privativa, com lanchinhos disponíveis. Também foi curioso observar, pela janela da cabine, os turistas acompanhando a passagem do trem na Train Street.


- PISTACHIO SAPA HOTEL (4 estrelas) – Superior Mountain View – Số 29, tổ 10, đường Thác Bạc, thị trấn Sa Pa, Lào Cai – +84 214 3 566 666. Excelente hotel, localizado a poucos metros do centro de Sa Pa. O quarto era excelente, com cama de casal king size, TV, frigobar, ar-condicionado, sofá de dois lugares, mesa de estudos com cadeira e varanda com uma linda vista da região. O banheiro era espaçoso, com chuveiro no interior da banheira. O hotel oferecia duas piscinas: uma aquecida e fechada, e outra no rooftop, com borda infinita. O rooftop possuía um bar com mesinhas, sendo um excelente lugar para relaxar ao final do dia. O hotel também contava com academia e spa. O café da manhã era diversificado e atendeu satisfatoriamente ao nosso paladar.

 Sa Pa é uma belíssima cidade localizada na região montanhosa do norte do Vietnã, na província de Lào Cai. Durante o período colonial, foi utilizada pelos franceses como refúgio de veraneio, especialmente para escapar do calor úmido de Hanói. Ao entrar na cidade, já observamos um globo do mundo sustentado por duas mãos, com o letreiro “SA PA – THE CITY IN THE FOG”. Foi exatamente isso que presenciamos: uma temperatura bastante agradável, em um mês chuvoso, com o topo das montanhas permanentemente coberto por nuvens. Embora o clima tenha impedido parte das vistas panorâmicas que esperávamos contemplar nos passeios, ainda assim nos permitiu perceber a beleza do local e imaginar como aquela paisagem deve ser ainda mais impressionante em dias de céu aberto.

 

SA PA – THE CITY IN THE FOG

Um breve passeio pela cidade nos permitiu conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, também conhecida como Igreja de Pedra de Sa Pa, um dos principais marcos urbanos da cidade e herança da presença francesa na região. A construção em pedra, iniciada no fim do século XIX e concluída nas primeiras décadas do século XX, fica no coração da cidade e funciona como ponto de referência para moradores e turistas. Uma caminhada ao redor do Lago Ho Sa Pa também foi bastante agradável, pois nos permitiu observar a arquitetura das casas, o movimento local e, ao fundo, a beleza da região montanhosa que cerca a cidade de Sa Pa. O Mercado Municipal (Chợ Sapa) é outro passeio interessante para conhecer um pouco do cotidiano da comunidade local e apreciar a diversidade de produtos comercializados na região. Como dissemos anteriormente, a agricultura do Vietnã é rica e diversificada. Não deixe também de tirar uma foto do Sun Plaza, um pequeno centro comercial com poucas lojas, mas com arquitetura marcante, inspirada no estilo europeu e também associada ao legado francês. É comum ver fotógrafos profissionais na esquina oposta à entrada principal do shopping, registrando turistas que desejam levar essa recordação da cidade.

 

Lago Ho Sa Pa

Sun Plaza

Independentemente do cansaço dos passeios realizados durante o dia, não perca a oportunidade de caminhar pela região central de Sa Pa à noite. Impressiona a iluminação das ruas, da igreja, do shopping center, dos restaurantes e das lojas comerciais, muitas delas enfeitadas com as lanternas vietnamitas iluminadas, tão típicas do país. Com o clima mais fresco da montanha, a neblina e o movimento dos visitantes, o centro ganha uma atmosfera muito charmosa, que torna o passeio noturno uma experiência agradabilíssima.

 

A Cachoeira de Prata (Thác Bạc) é um dos pontos turísticos mais procurados nos arredores de  Sa Pa. Localizada a cerca de 30 minutos do centro da cidade, ela é facilmente observada a partir da estrada que passa em frente à atração. Com aproximadamente 200 metros de queda d’água e um percurso de cerca de 200 degraus, o visual é bastante agradável e recompensador. A escadaria, que se alterna com passarelas e mirantes, torna a subida relativamente leve e prazerosa. A vazão da água, o som constante da queda e a proximidade da cachoeira em vários trechos do caminho proporcionam uma sensação de bem-estar e despertam a vontade de permanecer por mais tempo naquele ambiente. Não é possível subir até o topo da cachoeira, localizada em uma região montanhosa de altitude elevada (1.800 metros); no meio do percurso, atravessamos uma passarela sobre a própria queda d’água e iniciamos a descida pelo outro lado. Como diz o ditado, “para descer, até santo ajuda”; nesse caso, a expressão pareceu ainda mais verdadeira, pois aquele lugar nos transmitiu a sensação de estar diante de uma obra divina. A descida revelou novos ângulos para fotografias, diferentes daqueles observados durante a subida. Todo o percurso foi feito quase sem percebermos o cansaço e, ao final, ficou aquele gostinho de querer subir e descer novamente.

 

Cachoeira de Prata (Thác Bạc)

Foi uma pena que o Portão do Céu, mais uma das atrações imperdíveis de Sa Pa, estivesse totalmente tomado pela neblina durante a nossa visita. Localizado na região do O Quy Ho Pass, a aproximadamente 2.035 metros de altitude, o local é conhecido por suas vistas panorâmicas das montanhas e dos vales ao redor, especialmente em dias de céu aberto. No entanto, quando estivemos lá, era quase impossível observar com clareza as pagodas, a imagem feminina de Buda, as estátuas de dragões e discípulos de Buda, o lago e o próprio Portão do Céu, tão procurado pelos turistas. A forte neblina certamente estava relacionada à altitude elevada (2.035 metros) e ao clima instável da região, que, naquele dia, foi inclemente com os visitantes. Mesmo assim, o passeio foi sensacional. Entre os destaques do local estavam a imagem feminina de Buda com três faces e o próprio Portão do Céu. Conseguimos ter apenas uma breve impressão da escultura, mas sua aparência ficou mais clara somente ao observarmos uma fotografia. Saímos de lá imaginando como seria a vista em um dia ensolarado e com o céu aberto, quando certamente a paisagem revelaria toda a sua grandiosidade.

 

Portão do Céu

Se o tempo disponível for um fator determinante na sua viagem e vocês só puderem visitar uma única atração turística em Sa Pa, sem dúvida, não deixem de conhecer o Sun World Fansipan Legend. O passeio começa com um trenzinho que parte da região central de Sa Pa (Sun Plaza) e percorre um trajeto panorâmico de aproximadamente 15 minutos até a estação do teleférico, localizada a cerca de 1.064 metros de altitude. Em seguida, embarcamos no teleférico, que nos levou até a estação superior, situada a aproximadamente 3.014 metros de altitude, vencendo um desnível impressionante em poucos minutos. A partir dali, era possível optar por outro pequeno trem até próximo ao cume ou subir cerca de 600 degraus para alcançar o ponto mais alto da Indochina — região formada por Vietnã, Laos e Camboja —, aos impressionantes 3.143 metros de altitude. Essa altitude está registrada em um marco piramidal muito disputado para fotografias. Próximo a esse marco encontra-se um mastro com a bandeira vietnamita, instalado no local em 2017, um importante símbolo do sentimento nacional do povo vietnamita. Optamos por fazer esse último trecho de trenzinho e descer pelas escadas para apreciar melhor a beleza do lugar. À semelhança do passeio ao Portão do Céu, o tempo não nos ajudou: o alto da montanha estava tomado por uma neblina não muito espessa, mas suficiente para comprometer a visibilidade, inclusive a curtas distâncias.


Sun World Fansipan Legend - acesso ao ponto mais alto da Indochina

Ainda assim, além de alcançarmos o ponto mais alto da Indochina, visitamos importantes atrações do complexo, entre elas a pagoda considerada a mais alta do Vietnã e a estátua de Buda também tida como a mais alta do país, em razão da altitude em que estão localizadas. Essa observação é importante porque não se trata, necessariamente, da maior estátua de Buda em dimensões físicas, mas sim daquela situada no ponto de maior altitude. Durante a subida de teleférico, antes de entrarmos propriamente nas nuvens, foi possível observar a exuberância das plantações de arroz em terraços espalhados pela região, uma paisagem que ficará para sempre em nossa memória. Ao chegarmos à estação superior do teleférico, encontramos uma ampla área de apoio aos visitantes, com lanchonetes, restaurantes e espaços adequados para descansar antes de seguir até o cume ou após retornar. Mas isso não é o que há de mais importante nesse estágio do passeio, e sim o Jardim de Rosas e diversas outras espécies de plantas, como, por exemplo, as hortênsias, que são de impressionar. Os jardins são muito bem cuidados e conservados. O desnível do terreno favorece belas perspectivas e possibilita excelentes fotografias. Não deixe de visitar esse encantador espaço a céu aberto.

 

Sa Pa é uma região que abriga diversas etnias vietnamitas. Entre os vilarejos mais visitados estão Lao Chai e Ta Van, localizada no coração do vale de Muong Hoa, habitados principalmente pelos povos Hmong Negros (Black Hmong), Dzay (Giay) e Dao Vermelhos (Red Dao). Como estávamos na região, fomos conhecê-los. Tratava-se de uma caminhada de cerca de 4 horas, mas em terreno plano, com leves aclives e declives, e as diversas paradas durante o passeio, foi um tour tranquilo. Desde o momento da nossa chegada, fomos acompanhados por mulheres de uma dessas etnias e por diversas crianças que, aliás, permaneceram próximas de nós durante praticamente todo o passeio. Um fato que nos surpreendeu positivamente foi a iniciativa da nossa guia de levar doces para distribuir às crianças, que, com um sorriso no rosto, nos agradeciam. As mulheres que nos acompanharam apresentaram seus trabalhos artesanais ao final da visita, e nos sentimos motivados a adquirir algumas peças, contribuindo, assim, para a renda daquelas trabalhadoras. O passeio se desenvolveu pelo interior dos vilarejos onde vivem essas comunidades, permitindo observar como o turismo contribuiu para melhorar a qualidade de vida e gerar renda para parte daquela população. Há dezenas de lojas de artesanato expondo os trabalhos manuais produzidos por esse povo. Como se não bastasse apreciar esses belíssimos trabalhos artesanais, toda a região é cercada por plantações de arroz em terraços, que envolvem as residências e as lojas, tornando a paisagem ainda mais agradável e encantadora.

 

De Sa Pa retornamos para a nossa última noite em Hanói, pois no dia seguinte seguiríamos para Ha Long Bay.

 

4)   HA LONG BAY

26JUN

SAPA

                 VAN

312 km (5 horas)

HANOI

OBSERVAÇÕES:  1 noite em Hanoi (26 para 27JUN)

ACOMODAÇÃO: MK PREMIER BOUTIQUE HOTEL (4 estrelas). Mesmo hotel que ficamos no nosso período inicial em Hanói.

 

27JUN

HANOI

          CARRO

166 km (2h 30min)

HALONG BAY

OBSERVAÇÕES:  1 noite em um cruzeiro noturno (27 para 28JUN)

ACOMODAÇÃO: VICTORY STAR – Deluxe Ocean View Balcony – 11 Le Quy Don Street, Bach Dang Ward, Halong City – Quang Ninh-VN +84 203 3 826 898

 

Logo cedo, por volta das 7h30, uma Van estava à porta do hotel para nos buscar com destino a Hanói. Trata-se de um transporte público conhecido localmente como limousine: uma van grande, com poltronas confortáveis, que realiza esse trajeto regularmente. Observamos que várias empresas oferecem esse serviço. O que mais nos chamou a atenção foi justamente o atendimento porta a porta, ou seja, eles nos pegam na porta do hotel de origem e nos deixam na porta do hotel de destino. No meio do caminho, foi realizada uma parada para descanso.

 

O período em Hanói foi bem curto. Permanecemos apenas um final de tarde na cidade, quando visitamos um museu já mencionado no trecho específico sobre Hanói, e descansamos para a programação da manhã seguinte.

 

Começamos o dia seguindo para Ha Long Bay, mais um daqueles passeios que entram facilmente na lista dos imperdíveis. Ha (descer) Long (dragão), significa a baia onde o dragão desceu para proteger as pessoas das tempestades. Não à toa, pois, em média, no período do verão, é normal ocorrerem cerca de 12 tufões. A baía, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, é famosa por suas águas em tons de verde-esmeralda e por milhares de formações calcárias que emergem do mar, compondo uma paisagem realmente única. Embarcamos no Victory Star, um navio pequeno, porém confortável, com 58,2 metros de comprimento, 10,8 metros de largura e capacidade para 64 passageiros distribuídos em 32 cabines, além de contar com quatro conveses. Na chegada, fomos recepcionados pela tripulação e acomodados no restaurante, onde recebemos as boas-vindas e a explicação sobre a programação prevista para o período do cruzeiro. Esse roteiro pode variar, pois a quantidade de embarcações na baía é grande e as atividades oferecidas são diversificadas. Portanto, aquilo que descreveremos a seguir corresponde a nossa experiência e pode não ser exatamente o mesmo programa realizado por viajantes de outras embarcações. Também existem passeios de um único dia, com saída pela manhã e retorno no fim da tarde, além de cruzeiros de uma ou duas noites.

 

Victory Star em Ha Long Bay

Ao se afastar do porto, o navio navegou em direção à região onde se concentram algumas das montanhas calcárias e ali lançou âncora, local em que permanecemos até a manhã do dia seguinte. Os passeios daquele dia foram realizados em pequenas embarcações, que se aproximavam do navio para nos levar aos pontos de visitação. A Baía de Ha Long reúne aproximadamente 1.600 formações e ilhotas calcárias que parecem nascer diretamente do mar. Somadas à coloração verde-esmeralda da água, elas criam um visual tão bonito que chega a parecer um sonho. A região também é conhecida por suas grutas, cavernas, praias pequenas e enseadas escondidas, além de abrigar comunidades ligadas à pesca e ao turismo.

 

Na tarde do primeiro dia, após o almoço — diga-se de passagem, estava muito saboroso — fomos visitar a Ilha de Titov. Trata-se de uma ilha disputada pelos turistas, pois também costuma fazer parte dos passeios de bate e volta, aqueles que saem pela manhã e retornam no fim da tarde. A ilha estava muito cheia, e pudemos observar que a maioria dos visitantes era formada por grupos familiares aproveitando o passeio. Seu grande atrativo é o mirante localizado no topo, com uma vista panorâmica muito bela da baía, após a subida de aproximadamente 500 degraus. Depois disso, um relaxante banho de mar para recuperar o fôlego foi refrescante — e, aliás, foi exatamente o que fizemos.

 

vista de Halong Bay da Ilha de Titov

Retornamos ao navio para trocar de roupa e nos prepararmos para o passeio pela Caverna Sung Sot, também conhecida como Caverna da Surpresa, uma das maiores e mais famosas da Baía de Halong. O passeio é bastante interessante, pois a caverna é formada por grandes salões interligados por passarelas bem delimitadas e iluminadas, o que facilita toda a circulação, mesmo considerando que, até ao todo, são cerca de 400 degraus entre subidas e descidas. O interior impressiona pelas estalactites e estalagmites, que permitem imaginar formas variadas semelhantes a objetos, animais e figuras do nosso cotidiano. Além da beleza interna, a própria chegada à caverna já proporciona belas vistas da baía, pois durante o acesso e a saída subimos e descemos alguns trechos de escada que revelaram ângulos bonitos da paisagem.

 

Com o dia de passeios praticamente finalizado, já de volta à embarcação, tivemos, no período noturno, uma aula prática de culinária vietnamita. Depois do jantar, participamos ainda de uma atividade de pesca de lulas na popa do navio. A pesca foi um fracasso, pois ninguém conseguiu pescar absolutamente nada, mas valeu pela experiência e pela descontração do momento.

 

Pela manhã, a embarcação deixou o ponto onde havíamos pernoitado e se deslocou para outra área da baía, onde permanecemos durante parte da manhã antes do retorno ao porto. Esse breve deslocamento já foi suficiente para perceber como a paisagem se transforma a cada mudança de posição: as formações calcárias assumem novos formatos, a luz incide de maneira diferente e a sensação é de estar diante de um cenário renovado.

 

Uma aula de tai chi chuan foi oferecida para alegrar o nosso despertar naquele paraíso e, após o café da manhã, fizemos o passeio à Caverna Luon. Nesse caso, é possível optar por navegar em caiaque ou embarcar em um bote de bambu remado por barqueiros da região. Escolhemos um caiaque para duas pessoas. Foi um lindo passeio. Após atravessarmos uma pequena caverna, chegamos a uma espécie de lago cercado por paredões calcários e habitado por alguns macaquinhos, que gentilmente vieram nos dar as boas-vindas e render mais uma boa quantidade de fotografias. Esse trecho proporciona uma experiência mais silenciosa e contemplativa da baía, pois permite navegar bem próximo às rochas e observar melhor a vegetação que cobre as formações calcárias.

 

lado após atravessarmos a Caverna Luon

Ao final, retornamos ao navio, almoçamos e nos deslocamos em direção ao porto para o desembarque.

 

O passeio, sem dúvida alguma, é inesquecível. Ainda assim, consideramos que teria sido ainda mais extraordinário se a embarcação permanecesse navegando por mais tempo ao redor da Baía de Halong durante o cruzeiro. Quando tivemos a oportunidade de mudar de posição, percebemos como o visual se transforma: as montanhas apresentam formatos diferentes, surgem novos recortes na paisagem e cada ângulo revela uma composição própria. É claro que, quanto mais tivéssemos navegado, mais teríamos visto; porém, mesmo com esse tempo relativamente curto de deslocamento, o pouco que contemplamos foi suficiente para nos surpreender e tornar a experiência memorável.

 

Todas as refeições estavam incluídas no passeio, exceto as bebidas, que eram pagas à parte. Como dica final, vale lembrar que o clima pode influenciar bastante a experiência na baía: dias ensolarados favorecem as fotografias e os banhos de mar, enquanto a neblina cria uma atmosfera mais misteriosa e igualmente bonita. De qualquer forma, a Baía de Ha Long é daqueles lugares em que a natureza parece ter caprichado de forma especial com toque de magia.

 

Após o desembarque do navio, seguimos direto para o aeroporto de Hanói para embarcarmos em um voo com destino a Hue, parte central do Vietnã.

 

5)   HUE

28JUN

HALONG BAY

          CARRO

 183 km (2h 30min)

AEROPORTO DE HANÓI

28JUN

HANÓI

            AVIÃO

1 hora

HUE

OBSERVAÇÕES:  1 noite em Hue (28 para 29JUN)

ACOMODAÇÃO: WHITE LOTUS HUE HOTEL (4 estrelas) – 05-07 Hoang Hua Tham, Hue City, Vietnam, +84 0 234 3881888. Hotel muito bem localizado a poucas quadras da beira do rio. O quarto era grande, com cama queen size, ar condicionado, TV, frigobar, banheira e chuveiro fora da banheira. A piscina localizada no piso inferior, em área descoberta, era grande. O café da manhã era bastante variado atendendo a diferentes paladares.

A importância de visitar Hué deve-se ao fato de a cidade ter sido a capital imperial do Vietnã entre 1802 e 1945, durante a dinastia Nguyễn, e de abrigar um dos conjuntos históricos mais importantes e bem preservados do país: a Cidade Imperial, integrante do Complexo de Monumentos de Hué, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Hué é conhecida como "a cidade da paz e da poesia”.

 

Após nos acomodarmos no hotel, passeamos pelo agradável calçadão à beira do Rio Perfume, que, durante o período noturno, fica movimentado, não apenas por turistas, mas principalmente por moradores locais. A margem do rio fica iluminada, com diversas embarcações características da região e alguns restaurantes. Jantamos em uma rua superbadalada, com vários restaurantes e bares tomados pela população local, aproveitando o ritmo do fim de semana. É muito interessante observar os hábitos de uma cultura diferente da nossa. As mesas são pequenas e os bancos, baixos, se comparados aos que estamos acostumados a utilizar. Não sei dizer se isso se deve à estatura média do povo vietnamita ou se é realmente um costume local. Como somos um casal de estatura alta, não conseguiríamos ficar acomodados nesse tipo de mesa por muito tempo... kkkkk.

 

A visita à Cidade Imperial causa um grande impacto inicial, principalmente para aqueles que, como nós, visitam pela primeira vez uma cidade que pertenceu a um imperador séculos atrás. A cidadela começou a ser construída no início do século XIX, com o imperador Gia Long, e foi ampliada por seus sucessores, tornando-se o centro político, administrativo e cerimonial da dinastia Nguyễn. O conjunto é formado por muralhas, fossos, portões, palácios, templos, jardins e áreas reservadas à família imperial. Somente a área reservada a família imperial era composta por 150 construções distintas. A parte mais interna, associada à chamada Cidade Proibida Púrpura, abrigava os espaços privados do imperador e de sua corte. Infelizmente, muitas construções foram destruídas ao longo dos períodos de guerra, especialmente no século XX; entretanto, observamos um grande esforço do governo vietnamita de preservar e recuperar as edificações, em função da importância histórica desse conjunto. Entre as muralhas internas e as mais externas, vivia parte da nobreza e da administração imperial; nos dias de hoje, algumas áreas do entorno são ocupadas por moradores locais e construções tradicionais da região.

 

Dentro da área visitada, destacaram-se algumas construções e espaços principais ligados à vida imperial:

- O edifício onde o imperador realizava cerimônias e discursos aos seus súditos;

- Prédio da Assembleia;

- Escritório do imperador;

- Residência do imperador;

- Residência da imperatriz; e

- Palácio francês.

 

O prédio onde o imperador realizava cerimônias está preservado e é uma das construções mais frontais do conjunto, tendo sido o primeiro que visitamos, o que causou aquele impacto deslumbrante logo no início. À frente do edifício, há uma grande praça onde os súditos se reuniam para as cerimônias oficiais e, mais atrás, vê-se a muralha externa com uma enorme bandeira vietnamita. O formato do prédio, a predominância das cores vermelha e amarela, os dragões — símbolos associados ao poder imperial —, a decoração, o sino e o tambor compõem um espaço de características únicas. Foi também nesse contexto simbólico da antiga capital imperial que, em 1945, o último imperador da dinastia Nguyễn, Bảo Đại, renunciou ao trono a um representante do governo Ho Chi Minh, encerrando oficialmente a monarquia vietnamita.

 

Cidade Imperial

No Prédio da Assembleia, onde é proibido fotografar em seu interior, está guardado o trono do imperador, além de toda a beleza que ornamenta o espaço.

 

Os prédios que abrigavam o escritório do imperador, a residência do imperador e a residência da imperatriz foram totalmente destruídos, mas há intenção do governo de reconstituí-los, a exemplo de outras edificações já restauradas. Também chama a atenção a presença de construções com influência francesa, reflexo do período colonial e dos vínculos políticos e culturais que marcaram os últimos anos da monarquia vietnamita, como é o caso do Palácio francês que foi completamente reconstruído em 5 anos.


Palácio francês

 

Além de passearmos pelos lindos jardins com diferentes bonsais, visitamos os prédios que abrigavam o teatro e a biblioteca.

 

Os laços que ligavam o último imperador à França fizeram com que, após sua abdicação em 1945 e os desdobramentos políticos posteriores, ele passasse a viver naquele país, onde hoje repousam seus restos mortais.

 

Antes de partirmos para a próxima atração, fomos tomar um café no Cà Phê Muối. Não se trata de uma simples cafeteria, mas de uma casa associada à criação do famoso café com sal. Para nós, brasileiros, a combinação pode parecer estranha à primeira vista, mas o sabor é bastante agradável, e vale a pena experimentá-lo, principalmente no lugar onde essa tradição começou.

 

A Pagoda Thien Mu, conhecida como Chùa Thiên Mụ ou Pagoda da Dama Celestial, é uma das mais importantes e tradicionais pagodas do Vietnã, localizada às margens do Rio Perfume, a cerca de 5 km da Cidade Imperial. Construída em 1601, durante o período dos senhores Nguyễn, ela tem mais de 400 anos e tornou-se um dos símbolos de Hué. Segundo a lenda, uma senhora celestial teria aparecido no sonho de um General e dito que se ele construísse ali uma pagoda para trazer prosperidade à região, se tornaria um imperador. Isso não se consumou, mas foi o pontapé inicial para que 200 anos mais tarde um de seus descendentes se tornasse imperador. O conjunto é marcado pela torre Phước Duyên, de sete andares, pelos jardins, pelos espaços de oração e por relíquias históricas. Uma das mais impactantes é o automóvel Austin usado por Thích Quảng Đức, o monge que se auto imolou em Saigon, em 1963, em protesto contra a perseguição religiosa daquele período. Diversos monges vivem nessa pagoda, onde praticam suas obrigações espirituais e são responsáveis por sua manutenção.

 

Pagoda Thien Mu

Também é interessante o vínculo simbólico entre essa pagoda e a antiga capital imperial. Segundo nos contou o guia local, a localização da cidadela teria sido definida a partir de uma tradição curiosa: um incenso teria sido aceso e transportado pelo imperador a cavalo; o ponto em que o incenso se apagasse indicaria o local escolhido para a implantação da Cidade Imperial. Ainda que esse relato pertença ao campo das tradições locais, ele reforça a importância da espiritualidade, dos presságios e da harmonia com a paisagem na escolha dos lugares sagrados e políticos de Hué. Essa relação entre natureza, poder e simbologia é uma das características mais marcantes da antiga capital imperial.

 

Ao sairmos da pagoda, fizemos um passeio de barco pelo Rio Perfume. O Rio Perfume, ou Sông Hương, é um dos grandes símbolos de Hué. Seu nome está associado, segundo a tradição local, ao aroma das flores e plantas que caíam em suas águas nas regiões montanhosas por onde o rio passava, especialmente em determinadas épocas do ano. Durante o nosso passeio, não conseguimos sentir nenhum desses aromas de que nos falaram, mas, como todo passeio em águas calmas, a experiência foi bastante agradável. Os barcos são muito pitorescos: na proa, em cada um dos lados, cabeças de dragão adornam sua estrutura, tornando o visual, além de colorido, bonito. O passeio foi rápido, mas permitiu observar a cidade por outro ângulo, passando por áreas históricas, pagodas, jardins e margens arborizadas.

 

passeio de barco pelo Rio Perfume

Finalizamos o nosso dia em Hué indo visitar o Túmulo do imperador Minh Mạng. Segundo imperador da dinastia Nguyễn, que governou o Vietnã entre 1820 e 1841. Como era comum entre os imperadores vietnamitas, ele acreditava na continuidade simbólica da vida após a morte e mandou planejar seu próprio mausoléu, embora a obra tenha sido concluída por seu filho e sucessor, Thiệu Trị, em 1843. O conjunto é considerado um dos mausoléus imperiais mais harmoniosos de Hué, pois combina arquitetura, lagos, jardins, pavilhões, portões, pontes e áreas de culto em uma composição bem equilibrada. Em razão das riquezas que acompanhavam os sepultamentos imperiais e do risco de profanação, há tradições que afirmam que o local exato do corpo não teria sido revelado. Minh Mạng faleceu com 50 anos e ficou mais conhecido por sua numerosa corte, pelas muitas concubinas (300 ao todo) e por ter deixado grande descendência (150 filhos), aspectos que ajudam a compreender a dimensão simbólica e política da vida imperial naquele período.

 

Finalizado o nosso dia, nos deslocamos para Hôi An, passando por Da Nang, a principal cidade da região central do Vietnã, que abriga o aeroporto e o principal porto marítimo da região. No deslocamento fizemos uma rápida parada para fotografar a Ponte do Dragão, cartão postal vietnamita.

 

Ponte do Dragão em Da Nang

6)   HÔI AN

29JUN

HUE

          CARRO

127 km -

HOI AN

OBSERVAÇÕES:  2 noites em Hoian (29 para 30, 30 para 01JUL)

ACOMODAÇÃO: HOI AN DELICACY HOTEL (4 estrelas) – Premimum Balcony pool view – 116 Hùng Vuong, Street, Hôi An, Quàng Nam 842353939333. Hotel bem localizado a poucos quarteirões da área antiga de Hôi An, quarto bem espaçoso, com cama king-size, televisão, ar-condicionado, frigobar, banheiro com chuveiro no interior da banheira. Café da manhã diverso que atende a diferentes paladares.

 A cidade de Hội An, embora pequena quando comparada a Da Nang, localizada a poucos quilômetros dali, destaca-se pela grande diversidade de atrações históricas, culturais e turísticas. Esta charmosa cidade foi, no passado, um importante porto comercial do Sudeste Asiático, conhecido pelos estrangeiros como Faifo, e teve papel relevante nas rotas marítimas que ligavam o Oriente ao Ocidente. Entre os séculos XV e XIX, recebeu comerciantes chineses, japoneses, portugueses, holandeses e de outras origens, que deixaram marcas visíveis na arquitetura, nas casas antigas, nas assembleias, nas pagodas e nos costumes locais. Com o passar do tempo, o assoreamento do rio Thu Bồn, a menor profundidade dos canais e as mudanças nas rotas comerciais contribuíram para a perda de importância do antigo porto de Hội An, enquanto Da Nang passou a assumir papel de maior destaque como porto marítimo da região central do Vietnã. Paradoxalmente, esse declínio econômico ajudou a preservar o centro histórico, hoje reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Caminhar por suas ruas antigas, observar as fachadas amarelas, as lanternas coloridas, as casas de comerciantes e a famosa ponte coberta japonesa, além de passear pelos rios e canais da região, faz de Hội An um dos destinos mais procurados e encantadores do país.

 

Navegar nos barcos-cestos da vila de Cam Thanh, no rio Cua Dai, é uma experiência inesquecível. Essas embarcações tradicionais, conhecidas localmente como thúng chai, eram originalmente feitas de bambu trançado e impermeabilizadas com resinas naturais. Com o desenvolvimento do turismo, muitas passaram a ser confeccionadas com materiais mais resistentes, como fibra, embora ainda preservem acabamentos em palha e bambu para manter a aparência tradicional. O formato circular chama imediatamente a atenção e, segundo uma explicação muito difundida pelos guias locais, teria surgido como uma solução criativa dos pescadores durante o período colonial francês, quando os barcos de pesca eram sujeitos à cobrança de impostos. Para escapar dessa tributação, os pescadores afirmavam que aquelas estruturas não eram barcos, mas simples cestos de armazenamento. Na prática, desenvolveram uma forma eficiente de remar e conduzir esses “cestos” pelos rios e até em áreas próximas ao mar, garantindo a pesca e a subsistência de suas famílias. Atualmente, o passeio costuma durar cerca de 1h30 e percorre uma região muito bonita, formada por canais estreitos, manguezais e plantações de coqueiros-d’água, também conhecidos como nipa palms. Esses coqueiros produzem frutos diferentes dos cocos que conhecemos no Brasil: não são consumidos principalmente pela água, mas têm grande utilidade para a população local, tanto na alimentação quanto no uso das folhas para coberturas, artesanato e proteção das margens. A região também possui importância histórica, pois durante a Guerra do Vietnã a vegetação densa serviu como área de abrigo e deslocamento, além de ter sido alvo de ataques norte-americanos. Durante o passeio, navegamos por um desses trechos em que a vegetação se abre em uma espécie de “clareira” no rio, com profundidade bem maior que a média local — cerca de 6 metros, em contraste com os 1 a 1,5 metro observados em outras áreas. Também pudemos acompanhar demonstrações de pesca, como o lançamento das redes e algumas técnicas utilizadas pelos pescadores da região. Em determinado ponto, alguns barqueiros realizam acrobacias com os barcos-cestos, fazendo-os girar rapidamente em torno do próprio eixo, em uma velocidade considerável. Fomos convidados a participar dessa aventura, mas achamos que seria enjoativa demais para o nosso gosto. À beira do rio, diversos restaurantes permitem desfrutar de pescados frescos e, é claro, de deliciosas águas de coco. A região se desenvolveu muito com o turismo, pois observamos durante o passeio construção de modernas casas, entretanto ainda conserva um forte caráter comunitário e familiar: muitas atividades são conduzidas por moradores locais, em pequenos núcleos familiares, o que torna a visita ainda mais autêntica e interessante.

 

Navegação nos barcos-cestos da vila de Cam Thanh

Passeamos pela antiga vila de Hội An, que abriga verdadeiros tesouros históricos. Entre eles está a muito fotografada ponte coberta japonesa, com mais de 400 anos de idade, que, no passado, interligava o povoado chinês ao povoado japonês. Seu interior, todo em madeira, abriga uma pequena pagoda com a imagem de Buda, reforçando o valor simbólico e religioso desse importante cartão-postal da cidade, além da interessante construção asiática feita toda de encaixes precisos, sem a utilização de pregos ou parafusos, tendo como forte explicação a facilidade de enferrujarem as partes metais devido ao clima úmido do lugar. Visitamos também a Casa Velha de Tan Ky, uma construção muito antiga e típica da arquitetura vietnamita daquele período. Toda em madeira e erguida também sem o uso de pregos, parafusos, massas ou qualquer outro tipo de material de fixação, a casa foi construída igualmente pelo encaixe perfeito de suas partes, permitindo-nos compreender melhor as técnicas construtivas utilizadas naquela época. Como em outras casas tradicionais da região, sua fachada frontal é estreita, mas o interior se estende em grande profundidade. A casa está repleta de móveis e objetos decorativos que revelam a passagem e a influência de diferentes culturas ao longo do tempo. Um dos detalhes que mais nos chamou a atenção foram as marcas em uma das paredes indicando a altura alcançada pela água do rio durante diversos alagamentos ocorridos na cidade em épocas diferentes e não tão distantes. Apesar dos desafios e das adversidades provocados por essas enchentes, esse povo resiliente compreende a importância da água para a região e parece aceitar essas inundações como infortúnios da natureza. Além do Mercado Central, há também um mercado de roupas no centro antigo, bastante procurado pelos turistas. Aliás, vale destacar que Hội An é a cidade ideal, no Vietnã, para quem deseja confeccionar roupas sob medida. Diversas lojas vendem tecidos e produzem a roupa de um dia para o outro: basta entrar, escolher o tecido e definir o modelo. Visitamos ainda o templo de Phuoc Kien, construído por marinheiros chineses no século XVII em homenagem a Thien Hau Thanh Mau, considerada por eles a deusa do mar e protetora dos marinheiros e pescadores. Impressionou-nos o tamanho dos incensos em forma de tronco de cone, pendentes no teto, que abrigam, em pequenas placas de madeira, os pedidos e agradecimentos de seus devotos.

 

ponte coberta japonesa

A visita ao Hoi An Trading Ceramics Museum foi muito interessante. Trata-se de uma casa antiga que também desempenha, de certa forma, o papel de museu, apresentando a importância do Vietnã no comércio antigo, especialmente em relação ao antigo porto de Hội An. Ali estão expostos mapas antigos, peças em cerâmica e maquetes de embarcações, que ajudam a compreender melhor o papel da cidade nas antigas rotas comerciais marítimas. O local também oferece uma boa oportunidade para adquirir peças de cerâmica comercializadas no próprio espaço. Outro ponto interessante são os trabalhos em papel desenvolvidos por pessoas com necessidades especiais, muitas delas descendentes de participantes da Guerra do Vietnã. Elas produzem peças lindíssimas com tiras de papel que enrolam manualmente ou por uma pequena máquina, resultando a semelhantes pequenas serpentinas de carnaval, cuidadosamente ajustadas para formar os desenhos desejados. A precisão e a beleza desses trabalhos impressionam tanto que é difícil não querer levá-los como lembrança — ainda mais porque, além de delicados, quase não acrescentam peso à bagagem, rsrsrs.

 

Não bastasse o agradável passeio que fizemos nos barcos-cestos pelo rio Cua Dai, no final da tarde e início da noite, outra atração reune milhares de turistas: a navegação em botes a remo pelo rio Thu Bồn, de onde são lançadas pequenas lanternas flutuantes de papel, cada uma com uma vela acesa. Essa tradição vietnamita, especialmente realizada nas noites de lua cheia, simboliza pedidos, agradecimentos e bons desejos. Em tempos antigos, esses lançamentos eram feitos em terra, às margens do rio, mas, com o crescimento do turismo, passaram também a ser realizados a partir das embarcações, o que trouxe ainda mais dinamismo e charme ao ritual. São diversos barcos lindamente enfeitados com lanternas iluminadas, criando um visual surpreendentemente bonito sobre as águas. Dezenas de embarcações decoradas navegam pelo rio enquanto seus passageiros lançam outras pequenas lanternas com velas, compondo uma cena delicada e encantadora. Aliás, se pudéssemos escolher uma cidade em que as lanternas fossem o grande símbolo turístico, essa cidade seria Hội An. Até aquele momento da viagem, não havíamos visto nenhum outro lugar tão iluminado pelas tradicionais lanternas vietnamitas como ali.

 

navegação em botes a remo pelo rio Thu Bồn

Outro passeio que entra facilmente na lista dos imperdíveis do Vietnã é o Ba Na Hills, localizado nas montanhas próximas a Da Nang. A atração mais famosa do complexo é a Golden Bridge (Cầu Vàng), a célebre passarela dourada “sustentada” por duas enormes mãos de aparência envelhecida, que se tornou um dos cartões-postais mais fotografados do país. Inaugurada em abril 2018, a ponte tem cerca de 150 metros de extensão e está situada a mais de 1.400 metros de altitude, oferecendo belos visuais das montanhas e da vegetação ao redor quando o tempo colabora. Mas o Ba Na Hills não se resume a essa ponte. Trata-se de um grande complexo turístico e de entretenimento, administrado pela Sun World, que pode ser comparado, guardadas as devidas proporções, a uma espécie de Disneylândia em estilo vietnamita. É um megaprojeto construído nas alturas — isso mesmo, nas alturas — e o acesso é feito por um sistema de teleféricos, no total de 5, que transporta os visitantes para diferentes áreas do parque. E não vá pensando que são teleféricos de curta distância! O trajeto pode durar cerca de 20 minutos, tempo suficiente para apreciar, do alto, a beleza da região, com montanhas, florestas , cachoeiras e, em dias claros, belas vistas panorâmicas. O complexo reúne hotéis, pagodas, jardins floridos, fontes, restaurantes temáticos, choperia, áreas inspiradas em vilarejos europeus, atrações de parque de diversões e espaços bem preparados para fotografias. Entre os pontos que também merecem atenção estão o French Village, os jardins, as áreas de lazer cobertas e as construções cenográficas que reforçam a sensação de estar em um parque temático nas montanhas. É, sem dúvida, um lugar lindo para passar um dia completo — sabendo-se, desde o início, que talvez ainda não seja suficiente para esgotar tudo o que o local tem a oferecer.


Golden Bridge (Cầu Vàng)

Estávamos ao lado de Da Nang e de Ba Na Hills, seguimos para o seu aeroporto para embarcar com destino a Saigon (Ho Chi Minh).

 

7)   SAIGON (HO CHI MINH)

 

01JUL

HOI AN

(Aeroporto em Da Nang)

            AVIÃO

1h

HO CHI MINH (SAIGON)

OBSERVAÇÕES:  2 noites em Ho Chi Minh (01 para 02, 02 para 03JUL)

ACOMODAÇÃO: EDEN STAR SAIGON (4 estrelas ) – Premium Deluxe – 38 Bui Thi Xuan, Ben Thanh Ward, Dist 1, Ho Chi Minh City, Vietnam, +84 28 6 298 8388. Hotel localizado não muito próximo ao centro da cidade. O quarto era excelente, com cama king size, TV, ar-condicionado e chuveiro no interior da banheira. O interessante era que o frigobar possuía duas latinhas de cerveja, duas garrafinhas de água mineral e duas de água saborizada, que eram repostas todos os dias, sem custos adicionais. Na cobertura, havia uma piscina e uma academia, além de uma bela vista da cidade. Café da manhã excelente, com grande variedade.

Saigon passou a se chamar oficialmente Ho Chi Minh, em 2 de julho de 1976, em homenagem ao Presidente Ho Chi Minh, considerado o Pai do Vietnã moderno. Mesmo passados 50 anos, percebemos que se referir à cidade como Saigon não constitui nenhuma gafe, pois esse nome continua muito presente no cotidiano dos moradores, no turismo, no comércio e até em expressões tradicionais da cidade. Entretanto, em documentos públicos, comunicações governamentais, referências diplomáticas e demais contextos oficiais, deve-se utilizar o nome Ho Chi Minh.

 

Saigon, apesar de ser a maior e mais populosa cidade do Vietnã, não é a capital do país — posto ocupado por Hanói. Com uma população superior a 13 milhões de habitantes e uma frota estimada em 12 milhões de motocicletas, a cidade impressiona pelo movimento intenso de suas ruas e avenidas, pelo dinamismo comercial e pela energia permanente de uma grande metrópole asiática.

 

Por coincidência, tivemos a sorte de estar em Saigon justamente durante as comemorações dos 50 anos da adoção oficial do nome Ho Chi Minh. A data movimentou a cidade, com celebrações, eventos públicos e um clima de forte valorização da memória histórica nacional.

 

Prefeitura de Saigon

Saigon nos reservou experiências bastante interessantes, e a primeira delas foi conhecer os Túneis de Cu Chi, localizados a cerca de 70 km do centro de Ho Chi Minh. Trata-se de um amplo complexo subterrâneo, utilizado pelas forças vietnamitas durante a Guerra da Indochina e, posteriormente, de forma ainda mais intensa, durante a Guerra do Vietnã, período em que se tornou mundialmente conhecido. Em seu auge, a rede chegou a somar aproximadamente 260 km de extensão, com diferentes níveis de profundidade e ramificações que serviam como abrigo, rota de deslocamento, depósito de armas e alimentos, enfermaria, cozinha, dormitório, área de reuniões e base de comunicação. As entradas dos túneis, assim como os pontos de ventilação, eram cuidadosamente camufladas com terra, folhas e vegetação local, dificultando sua identificação pelos soldados inimigos. Também havia armadilhas de guerra, muitas delas extremamente cruéis, concebidas para conter, ferir e até matar os soldados que se aproximassem. Hoje, parte desse conjunto foi adaptada para receber visitantes, permitindo que os turistas entrem em alguns trechos e percebam, ainda que por poucos minutos, a enorme dificuldade de locomoção em espaços tão estreitos, escuros e abafados. O mais impressionante é saber que as áreas abertas ao público foram ampliadas para facilitar a visitação; os túneis originais eram ainda menores, construídos de acordo com a compleição física dos vietnamitas e praticamente intransponíveis para muitos soldados norte-americanos. Ao longo do percurso, diversos espaços expositivos ajudam a compreender melhor a vida subterrânea durante a guerra: há modelos e representações em fibra mostrando soldados vietnamitas uniformizados e cenas do cotidiano nos túneis, como cozinhas, paióis de munição, dormitórios, refeitórios e áreas de trabalho. A visita aos Túneis de Cu Chi funciona, assim, como um verdadeiro museu a céu aberto, com armas, munições, veículos, demonstrações de técnicas de camuflagem e explicações sobre a organização daquele complexo subterrâneo. Mais do que uma atração turística, o local é um espaço de memória que nos aproxima da complexidade daquele conflito e nos faz refletir, de maneira muito concreta, sobre as atrocidades e os impactos humanos de uma guerra.


Túneis de Cu Chi

 

No caminho de ida para os túneis, fizemos uma parada para descanso em um complexo que, além de lanchonete, abrigava a Net Viet Company Handicapped Handicrafts, uma loja dedicada à confecção e comercialização de belíssimos trabalhos artesanais produzidos por artistas vietnamitas com necessidades especiais. A visita foi uma grata surpresa, pois ali pudemos observar peças delicadas, feitas à mão, que se transformam em verdadeiras obras de arte. Os artesãos utilizam técnicas minuciosas, aplicadas sobre diferentes tipos de objetos, combinando pintura manual com a sobreposição cuidadosa de pequenos fragmentos de casca de ovo de pata e madrepérola sobre a superfície trabalhada. O resultado é impressionante pela riqueza de detalhes, pelo brilho, pela paciência exigida em cada etapa e pela sensibilidade artística envolvida, além das etapas écnicas do processo. Diante de tanta beleza e do valor social do projeto, torna-se praticamente impossível não adquirir ao menos uma dessas obras como lembrança da viagem.

 

No período da tarde, visitamos o War Remnants Museum (Museu dos Vestígios da Guerra), dedicado à memória da Guerra do Vietnã e às consequências humanas, políticas e ambientais daquele conflito. O acervo impressiona pela força histórica e emocional. Logo na entrada, em uma área externa, estão expostos diversos equipamentos militares utilizados durante a guerra, muitos deles de origem norte-americana, como aeronaves, carros de combate, peças de artilharia, armamentos e munições desativadas. Para se ter uma ideia da dimensão do material exposto, há até um helicóptero CH-47 Chinook, facilmente reconhecido pelas duas grandes hélices, uma à frente e outra na parte traseira, modelo ainda hoje utilizado pelas forças armadas dos Estados Unidos. O museu é organizado em vários espaços temáticos, abordando, entre outros assuntos, os protestos internacionais contra a guerra, a atuação de jornalistas e fotógrafos durante o conflito, o uso do Agente Laranja e seus efeitos devastadores sobre a população vietnamita e o meio ambiente. Entre as imagens mais marcantes está a famosa fotografia conhecida como “Napalm Girl”, presente em inúmeros livros de história, que mostra uma criança correndo nua após um ataque com napalm — uma das imagens mais simbólicas das atrocidades da guerra. Há também áreas dedicadas à memória das vítimas e à denúncia das consequências duradouras do conflito. Trata-se de um museu denso, com grande quantidade de fotografias, documentos, relatos e material jornalístico. Uma simples tarde não é suficiente para absorver tudo com a atenção que o tema merece. Portanto, se você gosta de história, reserve ao menos algumas horas — e, se possível, um dia inteiro — para visitar esse museu com calma.

 

War Remnants Museum

O final da tarde combina perfeitamente com a visita ao Bitexco Financial Tower, onde está localizado o Saigon Skydeck, um mirante situado no 49º andar que permite uma vista panorâmica de 360 graus da cidade. Aproveitar o horário próximo ao pôr do sol é ideal, pois possibilita registrar belas fotografias de Saigon ainda iluminada pelo dia e, pouco depois, já tomada pelas luzes da noite. No alto também há restaurante, lojinhas de lembranças, informações sobre a história do edifício e painéis com fotografias e explicações que ajudam a identificar os principais pontos visíveis a partir daquela posição. O arquiteto responsável pelo projeto inspirou-se no formato da flor de lótus, símbolo muito presente na cultura vietnamita, o que torna o visual externo do edifício ainda mais associado à identidade do país.

 

Saigon ainda reúne diversas outras atrações que merecem ser visitadas, muitas delas concentradas no Distrito 1, o que facilita bastante a realização de agradáveis caminhadas pela região central. Entre elas está a Basílica de Notre-Dame de Saigon, também conhecida como Catedral de Notre-Dame de Saigon, uma bela construção de origem francesa situada na Praça da Comuna de Paris. Infelizmente, a catedral encontra-se em obras de restauração há alguns anos, razão pela qual não tivemos a felicidade de encontrá-la aberta nas duas vezes em que passamos por ali. Mesmo assim, sua fachada de tijolos avermelhados, as torres e a localização central fazem dela um dos cartões-postais mais fotografados da cidade. Bem ao lado está a Agência Central dos Correios de Saigon, uma das construções coloniais mais bonitas de Ho Chi Minh. O edifício é frequentemente associado a Gustave Eiffel, mas essa atribuição é controversa; a construção atual é geralmente creditada ao arquiteto francês Alfred Foulhoux, embora sua estrutura metálica e o amplo salão interno remetam à estética das grandes estações europeias do fim do século XIX. Além de funcionar como agência postal, o prédio encanta pelo teto abobadado, pelos mapas antigos, pelos balcões de madeira, pelo retrato de Ho Chi Minh ao fundo e pelas lojas de lembranças e artesanato instaladas em seu interior. Ao lado da agência fica a Book Street, uma charmosa rua de pedestres repleta de livrarias, cafeterias, pequenas lojas e espaços agradáveis para uma pausa durante o passeio. Mesmo para quem não pretende comprar livros, vale caminhar por ali, apreciar a decoração, observar o movimento intenso e, se possível, fazer uma parada para um café. Como gostamos de ler, tentamos adquirir dois livros: uma biografia de Ho Chi Minh e outro que contasse, de forma resumida, a história do Vietnã. Ficamos frustrados por não os encontrar nas diversas livrarias em que entramos; como somos insistentes, conseguimos comprá-los apenas no aeroporto de Saigon, antes do nosso voo de partida. Outro ponto que merece ao menos uma parada para fotografias é a Prefeitura de Ho Chi Minh um elegante edifício de inspiração colonial francesa. À sua frente, uma grande estátua de Ho Chi Minh compõe um cenário simbólico e fotogênico, especialmente no fim da tarde e à noite, quando a iluminação valoriza ainda mais o conjunto. Dali parte a ampla Rua de Pedestres Nguyen Hue, um grande calçadão que segue em direção ao Rio Saigon e torna a caminhada pela cidade ainda mais interessante, com jardins, fontes, edifícios modernos, cafés, lojas e intenso movimento de moradores e turistas. Também vale caminhar pela beira do Rio Saigon no período noturno, quando a iluminação das pontes, dos barcos e dos arranha-céus ajuda a revelar o lado mais moderno da cidade. Como em praticamente todas as cidades vietnamitas que visitamos, Saigon também possui mercados muito movimentados, e o mais famoso é o Mercado Ben Thanh, excelente para comprar lembranças, experimentar comidas locais e observar o ritmo comercial da cidade. Outro local que não conseguimos visitar por falta de tempo, mas que merece entrar no roteiro, é o Palácio da Independência, também conhecido como Palácio da Reunificação. Foi em seus portões que, em 30 de abril de 1975, carros de combate das forças norte-vietnamitas entraram, marcando a queda de Saigon, o fim da Guerra do Vietnã e o início do processo de reunificação do país (essa foto pode ser vista no Museu de Saigon). Hoje, o palácio funciona como museu e permite conhecer salões oficiais, salas de comando, áreas residenciais e espaços subterrâneos preservados (Bunkers), tornando-se uma visita especialmente interessante para quem deseja compreender melhor a história recente do Vietnã.

 

8)   CAN THÔ

 

03JUL

SAIGON (HO  CHI MINH)

         CARRO

157 km (2h 45min)

CAN THO

OBSERVAÇÕES:  1 noite em Can Tho (3 para 4JUL)

ACOMODAÇÃO: CHARMANT SUITES HOTEL (4 estrelas) – Deluxe City View – 45 Ngo Quyen Street – Tan An Ward - Ninh. Hotel localizado a uma quadra da beira rio, região turística da cidade. O quarto era grande, com cama king size, TV, ar-condicionado, banheiro com chuveiro e sem banheira. A cobertura abrigava uma piscina e uma academia de ginástica, além de proporcionar uma bela vista aérea da cidade. O café da manhã bastante completo.

 No caminho para Can Tho, paramos em Ben Tre, conhecida como a capital do coco do Vietnã. O Brasil também possui muitos coqueiros, mas foi impressionante a quantidade de cocos que vimos durante essa visita. Tivemos a oportunidade de navegar pelo Delta do Rio Mekong, uma região extremamente importante para o Vietnã, em razão da fertilidade de suas terras e da riqueza de sua produção agrícola. O verde é predominante, e a quantidade de plantações na região é enorme. O que vimos de coqueiros é difícil descrever: tanto os coqueiros, digamos assim, “comuns”, semelhantes aos que temos por aqui, quanto aqueles que nascem em regiões alagadas, conforme descrevemos anteriormente. Além disso, o Delta do Mekong possui grande valor histórico, pois foi palco da Guerra do Vietnã e já o vimos representado em diversos filmes que retratam essa passagem histórica. É importante destacar que esses filmes, produzidos por empresas norte-americanas, não foram filmados ali, mas é claro que escolheram regiões que guardassem grande semelhança com o delta. Para quem assistiu a essas produções, a paisagem realmente remete àquelas cenas. Paramos em uma fábrica artesanal de doces de coco e ficamos impressionados com a forma como o trabalho é desenvolvido manualmente e como o coco é aproveitado em sua totalidade. Entramos também em um antigo forno onde, no passado, eram fabricados tijolos. Impressiona imaginar o tamanho da estrutura e o gasto de energia necessário para a fabricação de tijolos em tempos remotos. Foi um passeio de intenso contato com a natureza, que culminou com um almoço em um restaurante de pratos típicos da região. Em meio a um ambiente florestal, o restaurante servia peixe fresco e outros frutos do mar deliciosos, com atendimento personalizado. E, claro, a quantidade de comida superou em muito a nossa disposição para comer, mesmo estando com fome.

 

Ao final da tarde, chegamos à bela cidade de Can Tho. A cidade é pequena e se resume, se é que posso assim dizer, a uma agradável caminhada à beira do Delta do Mekong. Destaca-se mais uma estátua em homenagem a Ho Chi Minh e, no período noturno, chama a atenção a beleza da iluminação das pontes, passarelas, prédios e restaurantes enfeitados com as famosas lanternas vietnamitas. Como também não poderia deixar de ser, seu mercado é mais um atrativo a ser visitado.

 

9)   SAIGON (HO CHI MINH)

 

04JUL

CAN THO

         CARRO

157km (2h 45min)

SAIGON (HO CHI MINH)

OBSERVAÇÕES:  1 noite em Ho Chi Minh (4 para 5JUL)

ACOMODAÇÃO: EDEN STAR SAI GON (4 estrelas) – Premium Deluxe – 38 Bui Thi Xuan, Ben Thanh Ward, Dist 1, Ho Chi Minh City, Vietnam, +84 28 6 298 8388. Mesmo hotel já descrito anteriormente.

O principal objetivo de nossa passagem por Can Tho era conhecer o famoso Mercado Flutuante de Cai Rang, um dos mais tradicionais e conhecidos mercados flutuantes do Delta do Mekong. Para isso, embarcamos em uma pequena embarcação que, navegando pelo rio, nos conduziu até a área onde o comércio acontece. É realmente impressionante a quantidade de embarcações carregadas com os mais variados produtos, principalmente frutas, legumes e outros alimentos, que se concentram no rio para realizar suas atividades comerciais. Há também barcos que vendem café, chá e pequenos lanches, oferecendo aos comerciantes e visitantes uma espécie de café da manhã sobre as águas. O movimento das embarcações, o vai e vem dos compradores e vendedores e a variedade de mercadorias tornam a experiência bastante peculiar e ajudam a compreender como esse tipo de comércio faz parte da vida cotidiana da região. Uma das características mais interessante do mercado é a maneira utilizada pelos vendedores para anunciar o que têm à disposição. Em um mastro instalado na proa de cada embarcação são colocados os produtos comercializados, permitindo que, mesmo à distância, os compradores identifiquem facilmente o que está sendo vendido. Se algum produto lhes interessar, basta aproximar-se da embarcação para realizar a compra. Em determinado momento, entramos em uma embarcação que comercializava deliciosos abacaxis. Tivemos então a oportunidade de conversar com as vendedoras e conhecer um pouco mais sobre a rotina dessas mulheres. Algumas permanecem durante meses no rio, até que toda a mercadoria seja comercializada. Há embarcações que retornam periodicamente às suas vilas para se reabastecer, enquanto outras permanecem por longos períodos na área do mercado e recebem novos produtos por meio de caminhões que chegam às margens do rio. Ou seja, cada família e cada embarcação encontra sua própria maneira de manter o negócio funcionando. Apesar de toda essa tradição, o comércio flutuante de Cai Rang vem, gradativamente, perdendo espaço para os mercados instalados em terra, próximos ao rio. Essa mudança facilita bastante a vida dos moradores, que podem fazer suas compras com maior comodidade e sem a necessidade de utilizar embarcações. Ficamos curiosos e perguntamos se a permanência dessas embarcações no rio atualmente ocorria apenas por razões turísticas, como uma forma de preservar e apresentar aos visitantes uma antiga tradição local. A resposta foi negativa. Os comerciantes que ainda trabalham dessa maneira continuam no rio principalmente por tradição, seguindo uma atividade que herdaram de seus pais e antepassados e que continua sendo o seu meio de vida. Assim, embora o turismo tenha contribuído para tornar o mercado conhecido internacionalmente, aquela atividade comercial ainda faz parte da realidade econômica e cultural de muitas famílias.

 

Mercado Flutuante de Cai Rang

Também tivemos a oportunidade de visitar o mercado localizado em terra, onde pudemos observar uma enorme variedade de alimentos comercializados. A visita foi interessante justamente por permitir comparar as duas formas de comércio e perceber como uma tradição tão característica do Delta do Mekong vem se adaptando às mudanças da vida moderna.

 

Mercado em terra de Cai Rang

Ao final, retornamos a Saigon, onde pernoitamos e aproveitamos para fazer os últimos passeios, já descritos anteriormente. No dia seguinte, chegou o momento de nos despedirmos do Vietnã. Partimos com o coração repleto de alegria pelas experiências vividas e, ao mesmo tempo, já sentindo saudades de um país que nos proporcionou momentos únicos.

 

10)                RESUMO DA VIAGEM


Mais uma viagem inesquecível: o Vietnã é um país repleto de história, com uma cultura bastante diferente da nossa, uma culinária facilmente adaptável ao paladar brasileiro e um povo hospitaleiro, marcado por uma impressionante capacidade de resiliência.

 

Permanecemos no país por um total de 18 dias e realizamos todos os passeios com a Asiática Travel, uma agência de turismo vietnamita que adaptou o roteiro às nossas necessidades. Estavam incluídos todos os hotéis, os ingressos das atrações turísticas e, em alguns casos, as refeições. Também fizeram parte do pacote dois deslocamentos aéreos internos, um pernoite em cabine de trem, um pernoite em camarote de embarcação e um deslocamento de cerca de cinco horas em uma van pública, porém bastante confortável. Os demais passeios foram realizados em veículo padrão SUV, com motorista e guia falando português.

 

Recomendamos a agência e os guias, pois a viagem se tornou muito mais rica pela quantidade e pela qualidade das informações transmitidas. Historicamente, o Vietnã recebeu forte influência chinesa ao longo de muitos séculos, foi colonizado pela França a partir da segunda metade do século XIX e esteve sob ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. Essas experiências deixaram marcas importantes na formação cultural, política e arquitetônica do país. A Guerra do Vietnã, envolvendo o Vietnã do Norte, o Vietnã do Sul, os Estados Unidos e outros aliados no contexto da Guerra Fria, é um capítulo à parte e ainda permanece muito vivo na memória de seus cidadãos. Hoje, o país é uma república socialista de partido único (comunista), com economia aberta ao mercado desde as reformas conhecidas como Đổi Mới, iniciadas em 1986, o que proporciona ao visitante uma experiência bastante diferente daquela com que estamos habituados.

 

Não é uma viagem barata, sobretudo porque os custos das passagens aéreas de ida e volta para o Vietnã costumam ser significativos. Entretanto, uma vez no país, o custo de vida não é tão elevado quando comparado a padrões semelhantes no Brasil, especialmente em relação a alimentação, transporte local e alguns serviços turísticos.

 

Antes de viajar, pesquise com atenção a melhor época do ano para o roteiro pretendido, pois o clima do Vietnã varia bastante entre o norte, o centro e o sul do país. No período em que fomos, enfrentamos calor intenso e umidade elevada, combinação que torna os passeios um pouco mais cansativos. Também era uma época sujeita a pancadas de chuva no fim da tarde. Nesse aspecto, tivemos sorte: em pouquíssimos dias pegamos chuva, e nenhuma delas foi muito intensa.

  

11)                CONCLUSÃO - VIETNÃ: de Norte a Sul


O principal objetivo deste resumo é registrar nossa viagem e, ao mesmo tempo, compartilhar a experiência com outras pessoas que, assim como nós, gostam de viajar, explorar pequenas cidades, ter contato com a natureza e experimentar novas gastronomias.

 

Ficamos à disposição de quem quiser saber mais ou aprofundar qualquer uma dessas informações por meio de nossas redes sociais: @experientesemviagens. Também estamos abertos a sugestões que possam contribuir para aprimorar ainda mais os relatos de nossas aventuras. Outras fotos e registros desta viagem estão disponíveis nos destaques da nossa conta no Instagram.

 

Durante a viagem, nos deslocamos de norte a sul do país, entrando por Hanói, sua capital, e saindo por Saigon (Ho Chi Minh) sua maior cidade. Visitamos diversas outras cidades e vilas de valor turístico e históricos bastante interessantes, que já foram apresentados, em detalhes, anteriormente.

 

O mapa a seguir representa a cobertura da nossa viagem que nos maiores trechos foram feitos via aérea (Hanoi x Hue, e Da Nang x Saigon).

 

mapa esquemático da região visitada (percursos mais longos foram de avião)


logo experientes em viagens

 

Boa viagem, e espero que esse roteiro contribua para torná-los ainda mais Experientes em Viagens!

 

 

 

Comentários


bottom of page